O Ibovespa terminou o primeiro pregão de agosto praticamente estável, registrando leve variação de 0,02%, aos 128.456 pontos. O desempenho contrasta com o índice Dow Jones, que renovou sua máxima histórica, impulsionado por dados de emprego e balanços positivos nos Estados Unidos. A estabilidade do mercado brasileiro ocorre mesmo com quedas expressivas de ações de peso, como Vale e Petrobras, refletindo um cenário de cautela local e oportunidades externas.
Quedas de commodities e impacto no Ibovespa
As ações da Vale recuaram 1,8%, pressionadas pela desvalorização do minério de ferro na China, que caiu 2,3% na sessão. Já a Petrobras registrou perda de 1,5%, acompanhando o petróleo Brent, que despencou 4,8% após a perspectiva de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear. A commodity encerrou o dia cotada a US$ 84,72 o barril, menor nível em três semanas.
Outras petroleiras também sofreram: PRIO e PetroRecôncavo caíram mais de 3%, enquanto a Petrobras teve desvalorização adicional de 0,7% em suas ações preferenciais. Esse movimento negativo foi parcialmente compensado por avanços em setores como bancos e varejo, que sustentaram o índice no campo positivo durante parte do pregão.
FIIs despencam até 40% com corte de dividendos
No mercado de fundos imobiliários, a sessão foi marcada por quedas bruscas. Alguns FIIs de tijolo, como o FII XP Malls (XPML11), caíram até 40% após anúncio de redução nos dividendos. A medida reflete a alta da taxa de juros, que encarece o financiamento e reduz a atratividade dos rendimentos. O IFIX, índice de referência do setor, recuou 1,2%, acumulando perda de 4,5% no ano.
“O mercado está reprecificando os FIIs diante da perspectiva de juros elevados por mais tempo. A redução de dividendos é um ajuste necessário, mas pegou muitos investidores de surpresa”, afirmou analista da XP Investimentos, que preferiu não se identificar.
Dólar e juros: cenário de cautela
O dólar comercial subiu 0,38%, fechando a R$ 5,08, após intervenção do Banco do Japão no mercado de câmbio e compras pontuais de moeda no Brasil. A moeda americana acumula alta de 2,1% no mês, pressionada pela aversão a risco global e pela incerteza fiscal local.
No mercado de juros, o Copom deve cortar a Selic para 14% na próxima reunião, conforme projeção da XP. No entanto, a instituição prevê uma pausa prolongada até 2027, com retomada da calibração apenas após esse período. Essa expectativa mantém os contratos futuros de juros em patamares elevados, com o DI para janeiro de 2027 operando a 14,8%.
Destaques corporativos e agenda da semana
Na semana, investidores acompanham a divulgação de balanços do segundo trimestre de grandes empresas, incluindo Bradesco, Itaú e Petrobras, que podem direcionar o mercado. Além disso, a Vale lidera o ranking das ações mais indicadas para agosto, segundo levantamento de corretoras, desbancando o Itaú, que ocupava a liderança no mês anterior.
No setor automotivo, a Randon ON saltou 42% após o controlador propor uma OPA por RAPT3, com troca por ações da Frasle. A operação, avaliada em R$ 1,2 bilhão, deve ser concluída até o fim do ano, sujeita a aprovações regulatórias.
Perspectivas para o Ibovespa
Analistas apontam que o Ibovespa segue em busca de um rumo claro, com suporte em 127.000 pontos e resistência em 130.000. A combinação de juros altos, incertezas políticas e queda de commodities cria um ambiente desafiador, mas a temporada de balanços pode trazer alívio se os resultados vierem acima das expectativas.
O mercado também monitora o cenário externo, especialmente as negociações comerciais entre EUA e China e a política monetária do Federal Reserve, que pode sinalizar cortes de juros ainda neste ano. Qualquer mudança nesse cenário pode impulsionar o fluxo de capital para ativos de risco, beneficiando a bolsa brasileira.



