A Polícia Civil do Ceará instaurou inquérito para apurar a morte de uma estudante de 11 anos, ocorrida em 23 de julho, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. A família da menina afirma que ela sofria bullying na escola, o que teria motivado o pedido de transferência, negado pela instituição. O caso é acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
Investigação em andamento
De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi encontrada sem vida em um imóvel particular, onde residia. A investigação está a cargo da 5ª Delegacia de Polícia Civil de Maracanaú. As autoridades, no entanto, não confirmaram a linha de investigação adotada.
A família da menina, em entrevista ao g1, relatou que os episódios de bullying tiveram início após o começo do ano letivo de 2026, quando a estudante passou a frequentar o Colégio Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CMCB), no bairro Jacarecanga, em Fortaleza. Segundo a mãe, a violência era verbal, psicológica e até física.
Relatos de bullying e sofrimento silencioso
A mãe contou que, no início, a filha negava os problemas, mas apresentava sinais como manchas roxas e mudanças de comportamento. "Quando ela chegava, quando eu notava ela muito calada, eu dizia: 'O que está acontecendo?', e ela disse: 'Não, mãe, está acontecendo nada não'. Aí eu começava a ver a fardinha dela, aí eu via uma manchinha roxa", relatou.
A família tomou conhecimento dos episódios por meio da irmã mais velha da menina, que também é estudante, mas em outra escola. Após a descoberta, a mãe denunciou o caso à instituição. A menina chegou a prestar depoimento na escola, acompanhada dos pais, no qual relatou os episódios e nomeou os responsáveis.
O Colégio do Corpo de Bombeiros confirmou ter recebido os relatos e afirmou que adotou as providências previstas em seus protocolos internos. Em nota, a instituição destacou que "todas as demandas formalmente apresentadas à escola receberam o devido encaminhamento pelas equipes competentes". A escola também informou que desenvolve ações contínuas de prevenção ao bullying, com equipe de psicólogos.
Pedido de transferência negado
A família solicitou a transferência da estudante para o 3º Colégio da Polícia Militar, em Maracanaú, inicialmente por questões logísticas, para aproximá-la de casa. Após os relatos de bullying, o pedido foi reforçado, mas negado pela escola.
Em nota, o CMCB explicou que o pedido foi analisado pela Assessoria Jurídica da Corporação e negado por não atender às exigências do regimento interno. Segundo a instituição, transferências entre escolas militares só são permitidas após o aluno cumprir um ano letivo na unidade de origem, além da disponibilidade de vaga na série e turno pretendidos. A escola também informou que a família poderia solicitar transferência para qualquer outra instituição pública ou privada, com encaminhamento para matrícula em escola pública próxima à residência.
Medidas e ações da escola
No retorno às aulas após as férias, nesta segunda-feira (3), o colégio realizou uma programação de acolhimento, com lançamento do programa "Nota 10, Bullying Zero", reuniões com o MPCE, visitas a familiares, treinamento para monitores sobre prevenção ao suicídio e formação de professores. A escola também informou que está em contato com a procuradora de Justiça Isabel Porto e o promotor de Justiça Ayrton Foch.
O MPCE, por meio do Centro de Apoio Operacional da Educação, encaminhou o caso para a Promotoria de Justiça da Educação em Fortaleza, que acompanha as investigações.



