Ibovespa estável com queda de juros; petróleo e eleições no radar
Ibovespa estável com queda de juros; petróleo e eleições no radar

O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira, 3, praticamente estável, aos 178.000,24 pontos, em um pregão marcado por forças opostas: de um lado, a queda das ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR3;PETR4) pressionou o índice; de outro, o recuo dos juros futuros trouxe alívio às ações cíclicas, mais sensíveis aos ciclos econômicos.

Petróleo em queda e impacto nas ações

O dia foi de tombo para o petróleo. O WTI para setembro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em baixa de 5,11%, a US$ 80,34 o barril. O Brent para outubro, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 4,73%, para US$ 83,77 o barril. A desvalorização ocorreu em meio a conversas entre enviados dos EUA e o Irã, mediadas por Omã, para garantir a navegação segura no Estreito de Ormuz, conforme informações da CBS News e declarações do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei.

Com a queda do petróleo, as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4) registraram perdas de 0,86% e 0,85%, respectivamente. A Vale (VALE3), outro papel de peso, sentiu o impacto da baixa do minério de ferro no exterior e recuou 2,15%.

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Juros futuros em queda e impacto no mercado

O Boletim Focus mostrou que a mediana para o IPCA de 2026 caiu pela quinta semana seguida, de 5,12% para 5,03%, enquanto a projeção para a Selic no fim de 2026 passou de 14% para 13,75% ao ano. Esse cenário contribuiu para a queda dos juros futuros, beneficiando ações cíclicas como Hapvida (HAPV3), Cury (CURY3) e C&A (CEAB3).

“O ambiente de inflação mais benigna contribuiu para uma queda dos juros futuros, após o Boletim Focus reduzir as projeções para inflação e Selic neste ano”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

Mercados externos e câmbio

Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiram 1,48%, 1,32% e 2,13%, respectivamente, impulsionados pela queda do petróleo e por indicadores industriais. A SpaceX saltou 5,6% em meio à expectativa sobre a divulgação do primeiro resultado da empresa de Elon Musk desde a sua abertura de capital, previsto para terça-feira, 4, após o fechamento das Bolsas.

No mercado doméstico de câmbio, o dólar encerrou em alta de 0,33%, cotado a R$ 5,087. “Como o Brasil é um importante exportador de petróleo, a queda severa no preço da commodity reduz a perspectiva de entrada de dólares no país, o que naturalmente pressiona o câmbio para cima”, diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

Maiores altas do Ibovespa

As três ações que mais valorizaram no dia foram Hapvida (HAPV3), Cury (CURY3) e C&A (CEAB3).

  • Hapvida (HAPV3): +5,59%, a R$ 11,91, beneficiada pelo alívio nos juros futuros. No mês, alta de 5,59%; no ano, desvalorização de 19,14%.
  • Cury (CURY3): +4,52%, a R$ 31,45, também impulsionada pelo recuo dos juros. No mês, alta de 4,52%; no ano, valorização de 1,85%.
  • C&A (CEAB3): +3,6%, a R$ 9,78. No mês, alta de 3,6%; no ano, desvalorização de 23,35%.

Maiores quedas do Ibovespa

As três ações que mais desvalorizaram foram CSN (CSNA3), Prio (PRIO3) e Petrorecôncavo (RECV3).

  • CSN (CSNA3): -6,82%, a R$ 4,51, após rebaixamento pela Fitch na sexta-feira, 31. A agência manteve perspectiva negativa, citando queima de caixa, elevada alavancagem e despesas financeiras, considerando a venda de ativos “crucial” para reequilibrar a estrutura de capital. No mês, queda de 6,82%; no ano, desvalorização de 49,55%.
  • Prio (PRIO3): -3,86%, a R$ 58,50, em linha com as perdas do petróleo. No mês, queda de 3,86%; no ano, valorização de 41,24%.
  • Petrorecôncavo (RECV3): -3,19%, a R$ 10,33. No mês, queda de 3,19%; no ano, valorização de 2,68%.

*Com informações do Broadcast.

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