EUA queriam limitar investimentos em minerais críticos no Brasil, diz governo
EUA propuseram limitar investimentos em minerais críticos no Brasil

O governo brasileiro revelou que os Estados Unidos, durante a gestão do presidente Donald Trump, propuseram um acordo que limitaria os investimentos estrangeiros em minerais críticos no Brasil, como lítio e nióbio. A informação foi divulgada nesta quinta-feira por fontes oficiais, que afirmaram que a proposta foi recusada de imediato.

Proposta dos EUA e recusa brasileira

Segundo o governo, os EUA sugeriram um pacto bilateral que restringiria aportes de empresas estatais ou controladas por governos estrangeiros em setores considerados estratégicos. O modelo seria semelhante a acordos já firmados pelos americanos com Reino Unido e Austrália. “Obviamente não aceitamos”, declarou um porta-voz do Ministério de Minas e Energia, destacando a importância dos recursos para o desenvolvimento nacional.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de nióbio e possui vastas reservas de lítio, mineral essencial para baterias de veículos elétricos e dispositivos eletrônicos. A recusa ocorre em meio a tensões comerciais, já que os EUA aplicaram uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para aquele país, frustrando esforços diplomáticos e comerciais de ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Contexto geopolítico e econômico

A proposta americana insere-se na disputa global por insumos críticos para a transição energética e tecnológica. Países como China e Rússia também buscam acesso a esses recursos. O Brasil, no entanto, defende a soberania sobre suas riquezas minerais. Especialistas apontam que a recusa pode gerar retaliações comerciais, mas o governo avalia que a medida protege interesses estratégicos de longo prazo.

O acordo proposto pelos EUA teria impacto direto sobre investimentos chineses no setor, que cresceram nos últimos anos. Atualmente, empresas estatais chinesas têm participação em projetos de lítio no Brasil. A limitação proposta visaria conter essa influência, mas o governo brasileiro entende que a restrição poderia prejudicar a atração de capital estrangeiro diversificado.

Impactos e próximos passos

A decisão de recusar o acordo foi tomada em reunião interministerial, com participação dos ministérios de Minas e Energia, Relações Exteriores e Economia. O governo estuda agora alternativas para atrair investimentos sem comprometer a soberania. Uma das opções é criar um marco regulatório próprio para o setor de minerais críticos.

Enquanto isso, as relações comerciais com os EUA seguem tensas. A tarifa de 25% imposta pelos americanos atinge produtos como aço e alumínio, e o Brasil avalia medidas recíprocas. A expectativa é que o tema seja discutido em futuras rodadas de negociação bilateral.

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