Caçadores de frio na Serra de SC: turismo de inverno movimenta economia
Turismo de frio na Serra de SC movimenta economia

Milhares de turistas viajam todos os anos à Serra de Santa Catarina em busca de neve e cenários típicos de inverno, movimentando a economia de cidades como São Joaquim, Urubici, Urupema e Bom Jardim da Serra. Mais do que vinhos de altitude e gastronomia, o frio se tornou protagonista, atraindo os chamados "caçadores de frio".

Famílias em busca do frio intenso

A família de Maria Gabriela de Lucca Oliveira e Francisco Carlos Machado de Oliveira, de São José do Rio Preto (SP), viajou até São Joaquim com um grupo de cinco pessoas, motivada pelo sonho de ver neve. "Com certeza, a gente veio porque a gente sempre ouviu falar sobre São Joaquim, né? Que aqui neva e que o pessoal é muito acolhedor. Então, nós viemos para ver se é tudo isso mesmo", conta Maria.

Mariene Simas e Lucian Galiotto, moradores de Joinville, também foram a São Joaquim no fim de junho. Encontraram termômetros marcando -8°C e campos cobertos de geada, mas a neve não apareceu. "Vai ser um bate e volta. A gente veio para conhecer algumas cidades, paisagens, e algumas a gente já conhecia. Estamos gostando e sentindo o frio", contou Lucian.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Onde caçar geada e neve

A Serra de SC, com altitudes entre 900 e 1,5 mil metros, é a região mais fria do Brasil. Em 2025, três episódios de neve foram registrados. Em 2026, Bom Jardim da Serra registrou os primeiros flocos de gelo do ano. Segundo as prefeituras, os turistas podem encontrar cenários de frio em vales, baixadas, campos e topos de morro.

  • São Joaquim: a 1,3 mil metros de altitude, conhecida pela geada no Vale Caminhos da Neve e na Praça João Ribeiro.
  • Urupema: Capital Nacional do Frio, a 1,4 mil metros, com Morro das Antenas e Vale das Pedras Brancas.
  • Urubici: média de 915 metros, com locais como Vacas Gordas e Morro da Igreja.
  • Bom Jardim da Serra: a 1,2 mil metros, registrou -9,2°C e pontos como Terra do Gelo e Mirante da Serra do Rio do Rastro.

Perfil dos caçadores de frio

Elias Leopoldino Basto, 51 anos, empresário do Guarujá (SP), viajou de motorhome com a família para percorrer os cenários congelantes. "Tem sua vantagem, porque é só ver a previsão do tempo e pegar a estrada... a liberdade de caçar as menores temperaturas da região", conta.

Pesquisa "Inverno na Serra Catarinense" da Fecomércio-SC revela o perfil dos visitantes em 2025: 52,4% preferem hotéis, 86,1% viajam de carro próprio, 27,9% em excursões, e a maioria (80,4%) são homens. A faixa etária predominante é de 31 a 50 anos, e 24,7% têm renda entre 5 e 8 salários mínimos. A Serra já recebeu turistas da Alemanha, Argentina, Espanha, Uruguai e Peru; no Brasil, a maioria vem de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Impacto na economia e no emprego

O gasto médio por grupo de visitantes foi recorde em 2025: saltou de R$ 2.824 para R$ 3.550, o maior da série histórica desde 2017, segundo a Fecomércio-SC. Daniele Cruz, analista de pesquisas, afirma que a região ampliou atrativos: "Apesar de termos esses ‘caçadores de neve’, se ele vem e não encontra neve, não se decepciona totalmente porque tem muitas opções".

Em maio de 2025, foram admitidos 72 novos trabalhadores no turismo em três cidades: 16 em Bom Jardim da Serra, 20 em São Joaquim e 36 em Urubici. Em abril de 2026, o saldo foi positivo com 59 contratações nas quatro cidades.

Julio Fernando Regis, dono de um empório em Bom Jardim da Serra, confirma: "Normalmente, aumenta o número de visitantes quando está previsto temperatura mais baixa. Aí, enche rapidinho". Ele também destaca que as vagas de hospedagem mais que dobraram desde 2007.

Débora Berlato Moura, que administra uma empresa de ecoturismo em Urubici, explica que o inverno é altíssima temporada, mas o verão se consolidou como média temporada: "A sazonalidade está diminuindo: temos clientes o ano inteiro".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar