E-commerce impulsiona pequenos negócios como pontos de retirada e entregas
E-commerce impulsiona pequenos negócios como pontos de retirada

O crescimento do comércio eletrônico no Brasil está criando oportunidades de renda além das telas, especialmente na cadeia logística de entregas. Segundo a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), o setor faturou R$ 235,5 bilhões no país em 2024, alta de 15,3% em relação ao ano anterior, com expectativa de atingir R$ 259 bilhões em 2025.

Marketplaces recrutam pequenos negócios como pontos de retirada

Grandes marketplaces como Magazine Luiza, Shopee e Mercado Livre estão cadastrando pequenos estabelecimentos — como chaveiros, distribuidores de bebidas e papelarias — para atuarem como pontos de retirada de produtos ou parceiros de entregas finais. O Magazine Luiza, por exemplo, conta com 1.600 pontos de retirada no país, dos quais 355 são pequenos negócios vinculados à Agência Magalu Entregas. A Shopee possui cerca de três mil Agências Shopee espalhadas por mais de 800 cidades, sendo 90% delas de pequenos negócios.

Tiago Freddi, head de Logística da Shopee, afirma: "Ao transformar pequenos e médios negócios em pontos de retirada, coleta e logística reversa, ampliamos a capilaridade da nossa operação e, ao mesmo tempo, geramos novas oportunidades de renda e aumentamos o fluxo de clientes nesses estabelecimentos."

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Papelaria no Rio aumenta faturamento com ponto de retirada

Edson Batista, de 37 anos, dono da Papelaria Ponto BR, na Cidade Nova, Centro do Rio, cadastrou seu estabelecimento como entreposto de seis empresas de e-commerce, incluindo Shopee e Mercado Livre. Ele estima que cerca de 200 pessoas passem pelo local diariamente por causa das entregas, algumas acabam fazendo compras. "Todo dia tem movimento aqui. Dá até um fôlego para pagar o funcionário e dar um levante no faturamento da loja", relata Batista.

Logística mais eficiente e atração de clientes

Marcelo Carvalho, professor e coordenador dos cursos de Gestão e Negócios da Estácio, explica que a aposta em pontos de retirada ocorre em um cenário de disputa acirrada no e-commerce, onde "quem entrega rápido sai na frente e tem a preferência do consumidor". Para ele, é preciso quebrar ainda mais as praças e territórios, estar mais próximo dos pontos finais de entrega.

Ricardo Pastore, coordenador do Retail Studio e do Retail Lab da ESPM, observa que o modelo é uma forma de atrair novos consumidores: "Mesmo sendo um ponto de retirada, isso gera tráfego para o estabelecimento. As pessoas vão lá buscar algo que já compraram on-line e acabam aproveitando para adquirir outros produtos vendidos no local."

Papelaria na Tijuca expande negócios com parceria

Lucas Alves, de 31 anos, transformou a Matoso Papelaria, na Tijuca, Zona Norte do Rio, em ponto de retirada do Mercado Livre. O estabelecimento oferece retirada, devolução e serviço de coleta para entregadores cadastrados. "Eu comecei aqui há quase dois anos e, no início, era só papelaria. Como o local é meio escondido, resolvi testar para aumentar a visibilidade e a renda. No fim do último mês, fiquei muito feliz com a quantidade de produtos processados aqui", conta Alves.

Programas de entregas por parceiros locais

A Amazon mantém o Amazon Hub Delivery, que integra pequenas e médias empresas à sua rede logística para realizar entregas em suas próprias comunidades. Thomas Kampel, líder de comunicação da Amazon Brasil, afirma: "O modelo de remuneração permite que o ganho seja escalável conforme a capacidade e dedicação do parceiro. Individualmente, negócios locais parceiros têm a projeção de receber até R$ 30 mil ao ano em renda adicional ao realizarem as entregas de pacotes da Amazon diariamente em suas regiões."

A Shopee também conta com mais de 45 mil motoristas parceiros para entregas, incluindo motoristas de aplicativo e pessoas com carro próprio. No Magalu, é possível atuar como parceiro de entregas do Magalog, utilizando o próprio veículo conforme a disponibilidade. Talita Paschoini, diretora de Marketplace e Tecnologia do Magalu Entregas, destaca: "Para uma empresa como o Magalu, é fundamental contar com uma grande infraestrutura para viabilizar as entregas de forma ágil, com redução de custo e superar os desafios de um país com dimensões continentais."

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar