O ciclo de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial está ampliando a distância entre as economias avançadas e as emergentes, mas a brecha não é intransponível para todos. De acordo com o Citi, apenas três países emergentes — Taiwan, Coreia do Sul e Singapura — se destacam como os principais vencedores desse ciclo, em razão do domínio em segmentos estratégicos da cadeia global de semicondutores.
O que coloca esses três países à frente?
O relatório do Citi destaca que a corrida pela infraestrutura de IA depende fortemente de semicondutores de alto desempenho, desde os chips usados em servidores até os componentes de memória e placas gráficas. Taiwan, Coreia do Sul e Singapura ocupam posições centrais nessa cadeia. Eles combinam capacidade de fabricação, tecnologia de ponta e um ecossistema bem estabelecido de fornecedores, o que os torna peças-chave para atender à demanda global por inteligência artificial.
Esses países conseguiram construir vantagens competitivas ao longo de décadas, com forte investimento em pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura. No atual momento, essa base se converte em uma oportunidade de crescimento econômico e de atração de investimentos estrangeiros diretos, já que empresas de tecnologia buscam locais seguros e confiáveis para produzir chips essenciais.
Impacto na economia global
A ampliação da distância entre economias avançadas e emergentes, neste contexto, não é uniforme. Enquanto a maioria dos países em desenvolvimento enfrenta dificuldades para acessar capital, tecnologia e mão de obra qualificada, as três economias asiáticas se beneficiam diretamente do aumento dos gastos em infraestrutura de IA. O Citi indica que essa vantagem deve se manter no médio prazo, reforçando a posição desses países no cenário global.
O fenômeno também tem implicações para o comércio internacional e para as políticas industriais de outras nações. Países que desejam participar da cadeia de valor da IA precisarão de estratégias claras para desenvolver capacidades locais, seja por meio de incentivos fiscais, acordos de cooperação ou investimento em educação.
O que fazer diante desse cenário?
Para as demais economias emergentes, o caminho mais viável é buscar nichos específicos dentro da cadeia de semicondutores ou da infraestrutura de IA, em vez de tentar competir diretamente com os líderes. O relatório do Citi sugere que a lacuna tecnológica tende a aumentar antes de haver qualquer reversão, o que torna urgente a adoção de políticas públicas voltadas à inovação.
Além disso, a dependência de um grupo restrito de países para componentes críticos levanta questões sobre segurança e soberania digital. Governos de todo o mundo devem avaliar como reduzir riscos de concentração, sem abrir mão dos benefícios econômicos da IA.
Em síntese, o estudo do Citi mostra que a inteligência artificial não é uma maré que levanta todos os barcos. Para os emergentes, o sucesso dependerá da capacidade de se inserir de forma inteligente na cadeia global — e, até agora, Taiwan, Coreia do Sul e Singapura são os únicos que conseguiram transformar essa inserção em vantagem concreta.



