Lizzy Smith passou anos sem entender por que seus relacionamentos sempre terminavam da mesma forma: ela se afastava quando as coisas ficavam sérias. Até que descobriu a teoria do apego e o estilo evitativo-assustado. "Foi como encontrar a peça que faltava no quebra-cabeça", conta ela. No TikTok, vídeos com a hashtag #AttachmentTheory acumulam milhões de visualizações. A teoria também é usada para analisar desde o relacionamento dos personagens de Pessoas Normais até a letra de Rein Me In, de Sam Fender e Olivia Dean, que Lizzy descreve como um "hino dos evitativos".
Os quatro estilos de apego
Desenvolvida nos anos 1950 pelo psiquiatra britânico John Bowlby, a teoria do apego sugere que os laços com os primeiros cuidadores moldam nossas expectativas de relacionamento. Se o apoio é constante, a tendência é confiar nos outros. Caso contrário, podem surgir estratégias de proteção. Os quatro estilos são: ansioso (medo de rejeição, busca por reafirmação), evitativo (prioriza independência, dificuldade com intimidade), evitativo-assustado (deseja conexão mas teme abandono) e seguro (confortável com proximidade e independência). Pesquisas indicam que pessoas seguras lidam melhor com estresse, rejeição e são melhores no trabalho.
Popularidade e equívocos
O psicólogo Pascal Vrticka, da Universidade de Essex, estuda o apego há duas décadas e celebra a popularidade, mas alerta para interpretações "desatualizadas e prejudiciais". Um dos maiores equívocos é acreditar que os estilos são fixos. "A boa notícia é que o apego seguro é o mais estável", afirma Vrticka. Ele explica que mudanças podem ocorrer em períodos de transição como adolescência ou após eventos como rompimentos. Para Lizzy, a teoria é útil mas pode levar a rótulos. Ela reconhece suas tendências evitativas como tóxicas, mas acredita que com autoconsciência é possível mudar.
Como se tornar seguro
Amir Levine, coautor do best-seller Apegados (milhões de cópias vendidas), agora foca em como nos tornarmos seguros. Ele propõe as SIMIs (interações menores e aparentemente insignificantes), como uma mensagem de texto ou um sorriso. O cérebro monitora essas interações para construir expectativas. Levine sugere identificar relacionamentos que já nos fazem sentir seguros e usá-los como veículo para desenvolver segurança. "Não é apenas questão de onde você começou, mas do que acontece posteriormente", diz. Ele destaca que os estilos inseguros podem ser pontos fortes: pessoas ansiosas são atentas, e evitativas são independentes sob pressão. Vrticka concorda que estilos não são bons ou ruins, mas trazem riscos que não devem ser ignorados. Ambos concordam que a teoria é mais útil para compreender padrões do que para definir identidades.



