Deepfakes em entrevistas de emprego levam empresas a adotar biometria
Candidatos usam deepfakes em entrevistas on-line

O primeiro dia de trabalho reservou uma surpresa para o departamento de RH: a pessoa que se apresentou para assumir o cargo não era a mesma que havia participado das entrevistas por vídeo. O caso, ocorrido durante um processo de recrutamento on-line, expõe uma prática crescente — o uso de deepfakes e identidades fabricadas para enganar selecionadores e conquistar vagas de emprego.

Em outra situação relatada, um trabalhador contratado a distância morava em um país diferente daquele informado em seu currículo e durante as etapas do processo seletivo. As duas ocorrências foram detectadas por empresas que já começam a adotar medidas adicionais de verificação, incluindo biometria, para confirmar a identidade dos candidatos.

Como os deepfakes são usados em processos seletivos

Deepfakes são conteúdos gerados ou manipulados por inteligência artificial que simulam a aparência, a voz ou o comportamento de uma pessoa real. Em entrevistas de emprego remotas, candidatos podem utilizar essa tecnologia para se passar por outra pessoa — muitas vezes, um profissional com melhor qualificação ou um rosto mais alinhado ao perfil procurado.

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Há também casos em que a identidade é completamente roubada. A pessoa assume o nome, os documentos e o histórico profissional de um terceiro, sem que a vítima saiba. Em ambas as situações, o objetivo é o mesmo: aumentar as chances de aprovação em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

Identidade roubada ou fabricada: o risco para as empresas

Quando o candidato recorre a uma identidade roubada, a empresa pode contratar alguém com antecedentes criminais ou com qualificações completamente diferentes das desejadas. Isso configura não apenas um problema de confiança, mas também riscos jurídicos e de segurança da informação, especialmente em cargos que envolvem acesso a dados sensíveis.

A detecção costuma acontecer após a contratação, como no caso em que o funcionário se apresentou no primeiro dia com um visual diferente. Em outros cenários, a fraude é descoberta quando a empresa tenta validar informações como endereço e histórico profissional — e encontra divergências, como a do trabalhador que residia em outro país.

Biometria como resposta

Para reduzir esses riscos, empresas têm implementado sistemas de verificação biométrica durante o recrutamento. A tecnologia permite comparar a imagem capturada na entrevista com um documento oficial ou com uma base de dados confiável, dificultando a ação de fraudadores.

Além da biometria facial, outras medidas incluem testes em tempo real, verificação de documentos com blockchain e a exigência de ligações de vídeo ao vivo, nas quais o candidato precisa interagir de forma espontânea. Essas ferramentas, no entanto, levantam questões sobre privacidade e exigem equilíbrio entre segurança e experiência do candidato.

O impacto no mercado de trabalho

A adoção de tecnologias de verificação é uma resposta direta ao aumento de fraudes em processos seletivos. Especialistas em recrutamento alertam que os deepfakes tendem a se tornar mais sofisticados, o que exige das empresas uma atualização constante de seus métodos de checagem.

O fenômeno também acende um alerta para os trabalhadores: a proteção de dados pessoais e a vigilância sobre o próprio histórico profissional tornam-se ainda mais importantes em um cenário no qual a identidade pode ser clonada sem o consentimento da vítima.

Os casos relatados mostram que a tecnologia, ao mesmo tempo em que amplia o alcance do recrutamento, impõe novos desafios para a confiança nas relações de trabalho. A biometria e outras soluções de verificação surgem como ferramentas essenciais para garantir que, do outro lado da tela, esteja realmente o profissional que a empresa acredita ter selecionado.

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