Leitores criticam desmobilização eleitoral e escândalos políticos
Leitores criticam desmobilização eleitoral e escândalos

“A falta de esperança nos atuais pré-candidatos à Presidência e os ataques excessivos com denúncias e ofensas não nos levam à reconstrução do País em torno de um projeto de qualidade nacional e consistente.” A avaliação é do leitor Frederico Guilherme Eder, em carta publicada no Fórum dos Leitores do Estadão. Para ele, o desinteresse, o desânimo e a falta de engajamento dos eleitores aumentam o grau de rejeição política a menos de três meses da votação. Não ir votar ou votar em branco, argumenta, é transparecer que a atual situação das contas públicas, da segurança, da educação, da saúde e dos demais problemas nacionais é normal para a sociedade brasileira.

Em outra carta, Adilson Roberto Gonçalves, de Campinas, elogia a entrevista do antropólogo Roberto DaMatta publicada no domingo (29/7). Para o leitor, DaMatta estabelece um contraponto ao extremismo e ao identitarismo, ao mesmo tempo em que aponta a diversidade como elemento principal das idiossincrasias brasileiras. Gonçalves cita as intenções de voto em diferentes esferas para afirmar que ataques à democracia, vindos de corruptores ou do radicalismo religioso, podem ter impacto menor na sociedade se a rica heterogeneidade cultural for preservada.

Críticas a Javier Milei e à política externa

O leitor Alvaro Salvi, de Santo André, critica duramente o presidente da Argentina, Javier Milei, que esteve recentemente no Brasil e, em discurso, teria cometido “atrocidades” contra o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF). Salvi invoca o provérbio “A casa de um homem é o seu santuário, e como tal não deve ser desrespeitado” para dizer que Milei parece não entender nada de diplomacia e ofende os brasileiros. Ele acrescenta que o argentino seria um “peão orientado por Donald Trump para promover a discórdia na América Latina”. Para o leitor, o governo brasileiro deve ignorá-lo, como se faz com loucos, enquanto o Itamaraty deve mantê-lo sob escuta aguçada.

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Já Luciana Lins, de Campinas, lembra que Lula já havia demonstrado preferência explícita por Kamala Harris na campanha presidencial americana e, na Argentina, tentou ajudar a campanha de Sergio Massa. “Quando um chefe de Estado toma partido em eleições de outros países, assume o risco de ter de conviver diplomaticamente com os vencedores”, escreve. Para ela, a política externa recomenda prudência, porque os governos passam, mas os interesses nacionais permanecem.

Polêmica do patrocínio no Corinthians

O contrato de patrocínio de um site de “conteúdo adulto” no uniforme do Corinthians também mobilizou os leitores. Francisco Eduardo Britto, de São Paulo, torcedor do Timão há mais de 50 anos, expressa sua indignação com a decisão do marketing do clube. “Como vou explicar a uma criança o significado dessa marca expressa em letras garrafais no calção?”, pergunta. Ele relembra os tempos da “Democracia Corinthiana” e da campanha “Respeita as Minas” para lamentar que o movimento agora vá em sentido contrário.

Luiz Gonzaga Tressoldi Saraiva, de Salvador, considera inadmissível que um clube do tamanho do Corinthians se preste a divulgar propaganda de cunho erótico. “Tirem as crianças e as mulheres da sala e dos estádios quando houver jogo do Corinthians”, ironiza, e afirma que seria interessante saber o que pensa disso a primeira-dama Janja da Silva, esposa do corintiano Lula da Silva.

Escândalos financeiros e o STF

As investigações sobre o suposto envolvimento de dois ministros do STF no escândalo financeiro pilotado por Daniel Vorcaro e sobre o desvio bilionário do INSS geraram várias cartas. Paulo Roberto Gotaç, do Rio de Janeiro, questiona se os episódios desaparecerão no torvelinho de fatos desconfortáveis do período pré-eleitoral. “A sociedade brasileira está cansada de assistir a desdobramentos semelhantes ao longo da República”, escreve.

Luciana Lins também comenta a mudança de estratégia da defesa de Vorcaro, que, após três tentativas de colaboração premiada, anunciou que adotará a chamada “defesa clássica”. Ela afirma que mudar de tese é direito de qualquer investigado, mas observa que a alteração coincide com o avanço das investigações, incluindo pedidos de cooperação internacional. “As provas, quando existem, permanecem”, conclui.

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José A. Muller, de Avaré, afirma que os brasileiros têm “129 milhões de razões” para saber a verdade sobre o caso Master enquanto Alexandre de Moraes se preocupa com a tornozeleira eletrônica de “Débora do Batom”. Já Maurilio Polizello Junior, de Ribeirão Preto, critica o amadorismo da direita brasileira, que teria veiculado um vídeo de IA na convenção do PL. Ele cobra explicações de Moraes sobre o suposto relacionamento com Vorcaro e o contrato milionário firmado entre o banqueiro e sua esposa.

Pensamento próprio e populismo

Gilberto Pereira Tiriba, de Santos, escreve que “pensar dá trabalho” e exige tempo, pesquisa e o incômodo de aceitar que nem sempre se está certo. Para ele, as redes sociais foram feitas para não se fazer esforço, e quando se terceiriza o pensamento para influenciadores, grupos de WhatsApp e manchetes apelativas, a política perde o sentido. “O debate deixa de ser sobre saúde, economia ou o futuro do País e vira uma briga de torcida baseada em mentiras”, afirma. Ele conclui que, em tempos de mentes sequestradas pelo algoritmo, recuperar a coragem de pensar por conta própria é o ato mais revolucionário da nossa era.

Vera Ligia Giovanetti, de São Paulo, diz que seu último voto confiante foi dado a Luiz Felipe D’Avila na eleição presidencial. “Infelizmente, 90% da população não consegue se desvencilhar do populismo”, lamenta.

Publicidade oficial e discursos de Lula

Izabel Avallone, de São Paulo, comenta o aumento dos investimentos em publicidade institucional, que o governo justifica como divulgação de políticas públicas. Ela reconhece que é uma atribuição legítima da comunicação oficial, mas alerta que gastos recordes em ano eleitoral despertam questionamentos. “A publicidade pode informar; a credibilidade, porém, continua sendo conquistada pelos fatos”, escreve. Para ela, a principal vitrine de um governo não pode ser a propaganda.

Aldo Bertolucci, também de São Paulo, afirma que Lula está se tornando um perigo público sempre que abre a boca sem ter um papel à sua frente para ler. Ele lembra que passaram-se mais de trinta anos desde que o presidente discursava diante dos portões das fábricas, quando agia de forma correta. Bertolucci pondera que Lula já deveria ter aprendido a agir com compostura, e pergunta que planejamento estratégico está sendo preparado para um eventual quarto mandato.

Crise nos passaportes

Por fim, J. S. Vogel Decol, de São Paulo, critica o Itamaraty por pedir às embaixadas e consulados no exterior que reduzam a emissão de passaportes por falta de recursos no Ministério das Relações Exteriores. “A que ponto chegamos! Pobre Brasil”, escreve, lembrando que o país está entre as dez maiores economias do mundo.