Pesquisadores descobriram em Torres Vedras, Portugal, o fóssil mais completo já encontrado no país: um anquilossauro de 2,5 metros de comprimento, com vestígios que vão do crânio à cauda. Os restos mortais têm aproximadamente 148 milhões de anos, remontando ao período Jurássico Superior. A informação foi divulgada pela Câmara Municipal de Torres Vedras, que acompanha os trabalhos da equipe de paleontólogos no local.
Uma descoberta sem precedentes
De acordo com a Câmara Municipal, o exemplar é o mais completo da história da paleontologia portuguesa. A preservação de elementos que vão do crânio à cauda é extremamente rara, especialmente para um animal do grupo dos anquilossauros, dinossauros herbívoros conhecidos por suas placas ósseas e cauda com clava. O fóssil foi encontrado em sedimentos do período Jurássico, uma época em que a região de Torres Vedras era uma planície alagada próxima ao mar.
Os anquilossauros viveram há cerca de 145 a 66 milhões de anos, mas o exemplar português é ainda mais antigo, com 148 milhões de anos. Isso o coloca entre os registros mais antigos do grupo na Europa. A descoberta pode ajudar a entender a evolução e a distribuição desses animais no continente europeu.
Detalhes do fóssil e escavação
Os paleontólogos trabalham no que pode ser o fóssil mais completo de Portugal. A escavação, realizada em colaboração com a Câmara Municipal de Torres Vedras, já revelou uma sequência quase contínua de ossos, incluindo vértebras, costelas, membros e parte do crânio. A cauda, com sua característica clava óssea, também foi preservada, o que é um achado excepcional.
Segundo os pesquisadores, a posição dos ossos sugere que o animal foi soterrado rapidamente, o que explicaria a excelente conservação. Estudos preliminares indicam que o espécime pode ser de um indivíduo jovem, mas a confirmação depende de análises mais detalhadas. O fóssil será preparado em laboratório e posteriormente incorporado ao acervo de um museu local, com previsão de exposição pública.
Importância para a ciência
A descoberta preenche uma lacuna importante no registro fóssil de dinossauros em Portugal. Até agora, a maioria dos achados no país consistia em ossos isolados ou pegadas. Um esqueleto quase completo permite aos cientistas estudar a anatomia, a biomecânica e até possíveis patologias do animal.
Além disso, o fóssil de 2,5 metros reforça a relevância do território português como um dos principais sítios paleontológicos da Europa. A região de Torres Vedras já havia revelado outros fósseis do Jurássico, mas nenhum tão completo quanto este. A equipe de pesquisa planeja publicar os resultados em revistas científicas nos próximos meses, após a conclusão dos estudos.
Contexto geológico e histórico
O período Jurássico Superior, há cerca de 148 milhões de anos, era marcado por um clima quente e úmido. A Península Ibérica, naquela época, era uma ilha ou arquipélago, o que favoreceu a preservação de restos de dinossauros em sedimentos de origem fluvial e lagunar. O anquilossauro de Torres Vedras é um testemunho desse passado distante.
A descoberta foi anunciada por meio das redes sociais da Câmara Municipal, que divulgou imagens do trabalho dos paleontólogos. O município destacou a importância do achado para o turismo científico e a educação, e afirmou que todas as medidas de preservação estão sendo tomadas. A população local acompanha com entusiasmo as escavações, que prometem revelar ainda mais segredos do passado da região.



