O governo federal apresentou nesta quarta-feira (24) o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que prevê investimentos de R$ 1,225 trilhão em infraestrutura de transporte até 2050. O montante será aplicado em ferrovias, rodovias, portos, aeroportos e hidrovias, com o objetivo de modernizar o setor e reduzir os custos logísticos do país.
Prioridade para ferrovias e rodovias
Do total previsto, a maior parte, cerca de R$ 600 bilhões, será destinada a ferrovias, seguida por rodovias, com aproximadamente R$ 400 bilhões. Portos e hidrovias receberão cerca de R$ 150 bilhões, enquanto aeroportos ficam com R$ 75 bilhões. O plano busca ampliar a participação do modal ferroviário na matriz de transporte, hoje concentrada no rodoviário.
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, destacou que o PNL é um instrumento de planejamento de longo prazo que orientará os investimentos públicos e privados. "O plano dá previsibilidade e segurança jurídica para os investidores, além de alinhar as necessidades do país com as oportunidades de negócio", afirmou.
Metas de redução de custos e emissões
O plano estabelece metas ambiciosas, como a redução do custo do transporte de cargas em 30% até 2050 e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa no setor em 50%. Para isso, prevê a integração entre os modais e a ampliação da capacidade da malha ferroviária, que deve passar dos atuais 29 mil km para cerca de 55 mil km.
Entre os projetos prioritários estão a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e a duplicação de importantes rodovias como a BR-101 e a BR-116. O plano também prevê a concessão de novos trechos rodoviários e ferroviários à iniciativa privada.
Financiamento e parcerias
O financiamento do PNL contará com recursos do Orçamento Geral da União, mas principalmente com investimentos privados por meio de concessões e parcerias público-privadas (PPPs). O governo estima que cerca de 80% dos investimentos virão do setor privado.
Especialistas ouvidos pelo Valor ressaltam que o plano é bem-vindo, mas alertam para a necessidade de execução efetiva. "O Brasil tem histórico de planos que não saem do papel. É preciso garantir que os projetos sejam licitados e executados dentro do cronograma", diz o economista Carlos Alberto Sá, da consultoria Tendências.
Impacto na competitividade
A expectativa é que a melhoria da infraestrutura logística aumente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, reduzindo o chamado "custo Brasil". Atualmente, o custo do transporte representa cerca de 12% do PIB, enquanto em países desenvolvidos essa média é de 7%.
O PNL 2050 será revisado a cada quatro anos, com a participação de estados, municípios e da sociedade civil. A primeira revisão está prevista para 2026, quando também serão atualizadas as prioridades de investimento.
O plano integra a Política Nacional de Logística e Transportes, que também prevê ações para digitalização do setor e melhoria da segurança nas estradas.



