Convenções 2026: Lula, Flávio, Caiado, Zema e Renan lançam candidaturas
Convenções 2026: Lula, Flávio, Caiado, Zema e Renan

Cinco pré-candidatos à Presidência da República encerraram suas convenções partidárias com discursos que mesclaram exaltação a governos passados, ataques a adversários e as primeiras propostas de campanha. O prazo para registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) termina em 15 de agosto, e as convenções ocorreram entre julho e agosto. Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) já estão oficialmente na disputa, embora dois deles ainda não tenham definido seus vices.

Flávio Bolsonaro: herança e promessas de punição

O Partido Liberal (PL) oficializou, em 25 de julho, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) em convenção realizada no Pacaembu, em São Paulo. Em seu discurso, Flávio adotou tom emocional ao exaltar a figura do pai, Jair Bolsonaro, exibido por meio de inteligência artificial. Ele classificou a candidatura como uma missão para "devolver o Brasil aos brasileiros" e uma luta "do bem contra o mal", criticando os governos do PT por corrupção, altos impostos e incompetência.

Entre as propostas, Flávio defendeu o endurecimento das leis penais, com redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro e castração química para pedófilos. Ele também alertou para o risco de o Brasil se tornar uma ditadura sob Lula, especialmente com novas indicações para o Supremo Tribunal Federal. O discurso terminou com o lema "Deus, Pátria, família, liberdade e futuro".

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Lula: legado e prioridades para um quarto mandato

Lula oficializou sua candidatura à reeleição destacando sua trajetória histórica e comparando suas sete candidaturas presidenciais a participações em "Copas do Mundo". Ele enfatizou que não precisa "contar mentiras" nem inventar propostas, pois os resultados do PAC e os investimentos recordes em estados e prefeituras validam sua gestão. Um dos pontos centrais foi o combate à violência contra a mulher, declarando que "quem agride não deve votar nele".

Para um eventual quarto mandato, Lula estabeleceu como prioridades a resolução definitiva dos problemas da educação e o cuidado com a população idosa. Ele também defendeu investimentos robustos na indústria de defesa e tecnologia, como a produção nacional de drones para vigilância de fronteiras e a exploração soberana de terras raras e minerais críticos. O presidente concluiu posicionando-se como um "Lulinha porreta", disposto a ser mais ousado em reformas estruturais e na transição energética.

Renan Santos: a aposta da "geração de sacrifício"

Renan Santos (Missão) realizou sua convenção por videoconferência, no primeiro dia do prazo, e fez um ato de lançamento em São Paulo em 1º de agosto. Em seu discurso, relembrou os 12 anos de movimento político desde a fundação do MBL, rejeitando os rótulos de "terceira via" ou "antipetista". Ele definiu sua candidatura como a "afirmação de uma geração" que se recusa a ser escrava do "sonho maldito" do PT ou da "farsa" do bolsonarismo.

Renan propôs metas como reduzir os homicídios para menos de 10 mil por ano, manter os juros abaixo de 6% e alfabetizar nove em cada dez crianças. Ele introduziu o conceito de "geração de sacrifício", afirmando que seu governo exigirá trabalho árduo para colocar o Brasil entre as cinco maiores nações do mundo em 30 anos.

Romeu Zema: gestor técnico contra a criminalidade

Romeu Zema (Novo) apresentou-se como o candidato do "Brasil real", ressaltando sua experiência no setor privado e sua gestão como governador de Minas Gerais, onde afirmou ter agido como "voluntário" ao abrir mão de privilégios e salários. Ele criticou o PT, responsabilizando o partido pela destruição econômica de seu estado, e posicionou-se como um gestor técnico que sabe "ralar" e enfrentar a burocracia estatal.

Na área de segurança, Zema propôs classificar facções criminosas como organizações terroristas e construir um "superpresídio" na Amazônia para isolar seus líderes. Ele citou o modelo de El Salvador como inspiração para reduzir drasticamente os homicídios. Economicamente, destacou sua capacidade de atrair investimentos privados, como fez em Minas, visando transformar o Brasil em uma terra de oportunidades.

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Ronaldo Caiado: experiência contra a polarização

O PSD oficializou em 26 de julho a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, com Gilberto Kassab como vice. Caiado baseou seu discurso em seus 40 anos de vida pública e no sucesso de sua gestão em Goiás, que descreveu como o estado com a melhor educação e segurança do país. Ele se posicionou como alternativa à polarização entre Lula e o bolsonarismo, chamando os adversários de "maiores rejeitados da política".

Autodenominando-se um "galo de terreiro", acostumado à briga, Caiado desafiou Lula para debates e afirmou que sua candidatura é a única capaz de libertar o país do narcotráfico e do petismo. Com discursos marcados por promessas e ataques, os cinco candidatos iniciam agora a campanha oficial, que promete ser uma das mais acirradas dos últimos anos.