O índice de gerentes de compras (PMI) do setor de serviços da Alemanha avançou para 49,8 pontos em julho, ante 48,1 em junho, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (5) pela S&P Global. O resultado ficou abaixo da marca de 50 pontos, que separa contração de expansão, mas indica uma desaceleração do ritmo de queda e uma aproximação do retorno ao crescimento.
Retomada gradual do setor
O número de julho representa o melhor desempenho do setor desde março, quando o índice marcou 50,1 pontos. A leitura preliminar, baseada em cerca de 85% das respostas da pesquisa, sugere que a atividade de serviços está se estabilizando após um período de fraqueza.
De acordo com a S&P Global, a demanda por serviços na Alemanha mostrou sinais de melhora, com novos pedidos caindo no ritmo mais lento em cinco meses. As empresas também relataram uma redução menos acentuada no volume de trabalho pendente, o que pode indicar uma estabilização da capacidade produtiva.
Emprego e expectativas
O emprego no setor de serviços continuou a cair, mas a ritmo mais lento, com as empresas citando cautela nas contratações devido à incerteza econômica. Apesar disso, as expectativas para os próximos 12 meses melhoraram, com o índice de confiança subindo para o nível mais alto desde fevereiro.
“Os dados de julho sugerem que o setor de serviços alemão está se aproximando de um ponto de inflexão, com a queda da atividade se tornando cada vez mais branda”, afirmou Phil Smith, diretor associado de economia da S&P Global Market Intelligence. “Se essa tendência se mantiver, podemos ver o índice voltar acima de 50 nos próximos meses.”
Composição do PMI composto
O PMI composto da Alemanha, que combina serviços e manufatura, subiu de 47,5 em junho para 48,7 em julho, ainda em território de contração, mas no nível mais alto em três meses. O setor manufatureiro, embora ainda fraco, mostrou melhora, com o índice de produção subindo para 45,2, ante 43,5 no mês anterior.
O resultado vem em linha com a expectativa de analistas, que projetavam uma leitura de 49,7 para o PMI de serviços. A economia alemã, maior da zona do euro, enfrenta desafios como a alta inflação, os juros elevados e a fraca demanda externa, mas os dados recentes sugerem que a recessão técnica pode estar chegando ao fim.
Impacto para a economia da zona do euro
A recuperação do setor de serviços alemão é um sinal positivo para a zona do euro como um todo, já que a Alemanha é o motor econômico do bloco. O Banco Central Europeu (BCE) monitora de perto os indicadores de atividade para calibrar sua política monetária, com a próxima reunião marcada para setembro.
Economistas apontam que, se a tendência de melhora se confirmar, o BCE pode optar por manter as taxas de juros inalteradas por mais tempo, antes de considerar cortes. A inflação na zona do euro, embora em desaceleração, ainda está acima da meta de 2% do BCE.
Para as empresas alemãs, o cenário de estabilização traz alívio, mas a cautela permanece. A pesquisa da S&P Global mostrou que os custos de insumos continuam subindo, embora em ritmo mais lento, pressionando as margens de lucro.
Perspectivas para o segundo semestre
O governo alemão projeta um crescimento de 0,3% para o PIB em 2026, após uma contração de 0,2% no ano anterior. Os dados do PMI de julho reforçam a visão de que a economia deve se recuperar gradualmente no segundo semestre, impulsionada pelo consumo interno e pela melhora das condições financeiras globais.
No entanto, riscos permanecem, como a possibilidade de uma nova escalada das tensões comerciais e a desaceleração da China, principal parceiro comercial da Alemanha. A S&P Global ressalta que a pesquisa ainda é preliminar e os dados finais serão divulgados no início de agosto.



