A Honda Motor registrou um lucro líquido de 394,6 bilhões de ienes (cerca de US$ 2,7 bilhões) no primeiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em junho, mais que o dobro dos 186,6 bilhões de ienes do mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pela desvalorização do iene, que aumentou o valor das vendas no exterior, e pelas fortes vendas de veículos nos Estados Unidos.
Desempenho financeiro e projeções revisadas
A receita líquida da montadora japonesa cresceu 20% no trimestre, atingindo 5,4 trilhões de ienes, enquanto o lucro operacional saltou 39%, para 484,7 bilhões de ienes, superando as expectativas de analistas consultados pela FactSet, que previam 439 bilhões de ienes.
Diante do cenário favorável, a Honda elevou sua projeção de lucro líquido para o ano fiscal de 2026 (que termina em março de 2027) para 1 trilhão de ienes, ante os 950 bilhões de ienes previstos anteriormente. A projeção de receita anual foi aumentada para 21 trilhões de ienes, e a de lucro operacional para 1,4 trilhão de ienes.
Impacto do câmbio e vendas nos EUA
O iene fraco tem sido um dos principais fatores para o desempenho da Honda, assim como de outras exportadoras japonesas. No trimestre, o efeito cambial contribuiu com cerca de 200 bilhões de ienes para o lucro operacional, segundo a empresa.
As vendas nos Estados Unidos, maior mercado da Honda, cresceram 8% em volume no trimestre, impulsionadas pela demanda por SUVs e picapes, como o CR-V e a nova geração do modelo Pilot. A montadora também registrou forte demanda por seus modelos híbridos, que representaram cerca de 30% das vendas totais no país.
Estratégia de eletrificação e desafios
A Honda tem acelerado seus investimentos em veículos elétricos e baterias, com planos de lançar 30 modelos elétricos globalmente até 2030 e investir 10 trilhões de ienes em eletrificação e software até então. No entanto, a empresa ainda enfrenta desafios no mercado chinês, onde as vendas caíram 15% no trimestre devido à concorrência acirrada de montadoras locais como BYD.
O presidente da Honda, Toshihiro Mibe, afirmou em comunicado: "Nossos resultados refletem a solidez de nossa estratégia de produtos e a disciplina financeira, mas continuamos atentos às incertezas no cenário global, incluindo a volatilidade cambial e a transição energética."
Perspectivas e riscos
Apesar da elevação das projeções, a Honda mantém cautela quanto ao segundo semestre, citando possíveis impactos de tarifas comerciais e flutuações cambiais. A empresa espera que o iene permaneça em torno de 155 por dólar no restante do ano, mas uma valorização da moeda japonesa poderia reduzir os lucros.
No acumulado do ano fiscal, a Honda já vendeu 1,9 milhão de veículos globalmente, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. A montadora também revisou para cima sua meta de vendas anuais para 4,2 milhões de unidades.



