Ex-chefe de gabinete nega irregularidades em empréstimo
Ex-chefe de gabinete nega irregularidades em empréstimo

O ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Carlos Eduardo de Oliveira, negou nesta terça-feira (4) qualquer irregularidade no empréstimo de R$ 500 mil feito com uma empresária amiga de Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota divulgada por seus advogados, Oliveira afirmou que a operação foi realizada dentro dos trâmites legais e que os recursos foram devidamente declarados à Receita Federal.

Defesa alega transação legítima

Segundo a defesa de Oliveira, o empréstimo foi contratado em 2023, quando ele ainda não ocupava o cargo no Palácio do Planalto. O dinheiro, conforme a nota, teria sido utilizado para a compra de um imóvel em Brasília. A empresária, que não teve o nome revelado, é descrita como uma amiga de longa data da família do ex-presidente.

“O empréstimo foi formalizado por contrato particular, com cláusulas de pagamento e juros compatíveis com o mercado. Todas as obrigações fiscais foram cumpridas, e a operação não envolve qualquer recurso público ou vantagem indevida”, diz trecho da nota assinada pelos advogados.

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Investigação em curso

A revelação do empréstimo veio à tona após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que teve acesso a documentos bancários. O caso agora é investigado pela Polícia Federal, que apura possíveis ligações entre o ex-chefe de gabinete e empresários ligados ao governo anterior.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que, embora o empréstimo em si não configure crime, a relação pessoal entre as partes pode levantar suspeitas de tráfico de influência. “É preciso verificar se houve alguma contrapartida, como favorecimento em contratos públicos”, analisa o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Repercussão política

A oposição já anunciou que vai pedir a convocação de Oliveira para prestar esclarecimentos no Congresso. O líder da minoria na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), classificou o episódio como “grave” e afirmou que é preciso investigar “até as últimas consequências”.

O governo, por sua vez, adotou tom cauteloso. O porta-voz da Presidência, Paulo Pimenta, disse que a administração federal “confia nas instituições” e que qualquer irregularidade será punida. Oliveira, que pediu demissão do cargo na última segunda-feira (3), nega que a saída esteja relacionada ao caso.

Histórico de polêmicas

Esta não é a primeira vez que o ex-chefe de gabinete se envolve em controvérsias. Em 2021, ele foi alvo de uma sindicância interna por suspeita de uso indevido de diárias, mas foi absolvido. A nova crise ocorre em meio a um momento delicado para o governo, que enfrenta quedas de popularidade e investigações sobre supostas irregularidades em contratos federais.

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, avalia que a defesa de Oliveira deve focar em demonstrar a licitude da operação. “Se o contrato foi registrado e os impostos pagos, a tendência é que o caso se enfraqueça. Mas a opinião pública tende a ser influenciada pela aparência”, diz.

Próximos passos

A Polícia Federal deve ouvir as partes envolvidas nas próximas semanas. A empresária, que reside em São Paulo, já foi notificada para prestar depoimento. Oliveira, que está em Brasília, também deverá ser ouvido.

Enquanto isso, o caso alimenta o debate sobre a relação entre o poder público e o setor privado. Para o cientista político da USP, José Álvaro Moisés, é fundamental que as investigações sejam céleres e transparentes. “A sociedade precisa de respostas rápidas para evitar a sensação de impunidade”, afirma.

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