O vice-governador de São Paulo, Márcio França, afirmou que a disputa pelo governo paulista em 2026 pode ser decidida em turno único, projetando um cenário de polarização direta com o atual governador Tarcísio de Freitas. A declaração foi dada durante evento pela democracia realizado no TUCA, em São Paulo, onde França também reforçou o peso eleitoral do estado para o presidente Lula, chegando a dizer que 'cada voto vale dois'.
Evento no TUCA reúne aliados e críticas a 'psicopatas'
O evento, que contou com a presença de lideranças políticas e movimentos sociais, teve como tema a defesa da democracia. Além de França, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participou da mesa e fez duras críticas a 'psicopatas' que, segundo ela, destroem as instituições por dentro. A fala de Marina gerou reações imediatas nas redes sociais, reforçando o tom de alerta sobre os riscos à estabilidade política.
França, que também é pré-candidato ao governo de São Paulo, destacou que o estado concentra cerca de 22% do eleitorado nacional, o que torna decisiva a participação paulista nas eleições presidenciais. 'Cada voto em São Paulo vale dois para o Brasil', disse, citando o potencial de influência do estado na definição do próximo presidente.
Peso eleitoral de SP e estratégia para 2026
Segundo França, a estratégia da base aliada ao presidente Lula é fortalecer a candidatura própria no estado, evitando que a direita conquiste o maior colégio eleitoral do país. Ele lembrou que, em 2022, Tarcísio venceu no primeiro turno, mas que o cenário atual é diferente, com a população mais atenta às políticas federais e à necessidade de reconstrução democrática.
'O povo de São Paulo sabe que o futuro do Brasil passa por aqui. Por isso, vamos trabalhar para que a nossa candidatura cresça e para que a gente possa enfrentar Tarcísio em um debate de ideias, sem truculência', afirmou França, que também citou a importância de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o novo PAC para a recuperação econômica do estado.
Marina Silva e a defesa das instituições
Em sua fala, Marina Silva reforçou que a democracia brasileira ainda enfrenta ameaças, especialmente de grupos que atuam de forma silenciosa para desestabilizar o país. 'Há psicopatas que se infiltram nas instituições e tentam destruí-las por dentro. Precisamos estar atentos e mobilizados', declarou a ministra, sem citar nomes, mas em clara referência a setores ligados ao bolsonarismo.
O evento também serviu para articular alianças para 2026, com a presença de representantes de partidos como PT, PSB, PCdoB e PV. França, que é filiado ao PSB, deve disputar as prévias da federação com outros nomes, mas já se coloca como o principal oponente de Tarcísio.
Impacto para o governo Lula
Analistas políticos presentes ao evento destacaram que a candidatura de França pode ajudar Lula a ampliar sua base no Sudeste, região onde o presidente teve menor votação em 2022. 'Se a esquerda conseguir vencer em São Paulo, isso terá um efeito multiplicador para as eleições nacionais', comentou um dos organizadores, que preferiu não se identificar.
França, por sua vez, garantiu que manterá diálogo com todos os setores da sociedade e que sua campanha será pautada por propostas concretas, como geração de empregos, investimentos em educação e saúde, e combate à fome. 'Não vamos fazer promessas vazias. Vamos mostrar que é possível governar com eficiência e compromisso social', concluiu.



