O prazo para a definição do vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) foi estendido. Inicialmente, o anúncio deveria ocorrer até o fim das convenções partidárias, em 5 de agosto, mas a campanha agora admite que a escolha pode ser revelada até 15 de agosto, data-limite para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A nova sinalização foi dada pelo próprio candidato durante sabatina promovida por O Antagonista, nesta terça-feira (4), quando também fez, pela primeira vez em público, um aceno explícito à ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, apontada como sua favorita para ocupar a vice.
Primeiro aceno público a Daniella Marques
Durante a entrevista, Flávio quebrou o silêncio sobre a possível vice. “É público aí que a Dani Marques, que está na plateia, é uma pessoa que eu gostaria muito que fosse minha vice. É a primeira vez que eu falo abertamente em público aqui”, afirmou o senador. A declaração ocorre após semanas de especulações nos bastidores, onde a economista já era tratada como um dos nomes mais fortes para a vaga.
Impasse nas alianças adia decisão
A alteração no cronograma reflete as dificuldades enfrentadas pelo PL para ampliar sua coligação. Nas últimas semanas, partidos como PP e Republicanos decidiram permanecer neutros na disputa presidencial, frustrando a estratégia de Flávio de atrair uma vice de outra legenda e ampliar o tempo de propaganda eleitoral. Apesar disso, dirigentes da campanha avaliam que a legislação e a jurisprudência do TSE permitem manter a vaga de vice em aberto durante esse período, desde que as convenções tenham delegado às executivas partidárias poderes para deliberar sobre coligações antes do registro definitivo da chapa. Na prática, porém, a possibilidade de novas alianças depende de decisões que precisam ser tomadas pelos partidos até o encerramento das convenções.
Elogios à ex-presidente da Caixa
Flávio justificou sua preferência por Daniella Marques destacando a capacidade de transmitir confiança e ampliar a percepção de competência administrativa da chapa. “Foi fantástica durante o governo do presidente Bolsonaro. É alguém que reúne diversas qualidades, muito além da economia”, disse. O senador também elogiou a experiência dela em articulação política, gestão e relacionamento institucional. Daniella, que presidiu a Caixa entre 2022 e 2023, é vista como um nome técnico e com trânsito no mercado financeiro, o que poderia atrair setores moderados.
Apoios individuais, mesmo sem partidos
Durante a sabatina, Flávio minimizou o impacto da ausência de coligações nacionais. Embora legendas como Republicanos, Progressistas e União Brasil não tenham aderido formalmente à sua candidatura, ele afirmou que quadros importantes dessas siglas permanecem ao seu lado. O candidato citou nominalmente Tarcísio de Freitas, Damares Alves, Tereza Cristina, Guilherme Derrite, Simone Marquetto e a própria Daniella Marques como lideranças que continuarão participando da campanha, independentemente da posição oficial de seus partidos.
Palanques em 22 estados e comparação com 2022
Flávio também afirmou que sua campanha já conta com palanques organizados em 22 estados e comparou o cenário ao da eleição de Jair Bolsonaro em 2022. “Vou tentar até o último minuto, porque isso me dá tempo de televisão”, afirmou ao defender a busca por alianças formais, embora tenha sustentado que os principais quadros políticos desses partidos já estejam engajados em sua candidatura. A estratégia de postergar o anúncio visa ganhar tempo para negociações de última hora, mas também expõe a fragilidade da base aliada em um cenário eleitoral polarizado.



