Isolado, Flávio terá menos tempo de TV que Lula na campanha
Isolado, Flávio terá menos tempo de TV que Lula

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) terá um tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio significativamente menor do que o do atual presidente Lula (PT) nas eleições de 2026. Uma projeção baseada nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que Lula terá 5 minutos e 32 segundos por bloco, enquanto Flávio contará com apenas 4 minutos e 20 segundos. A diferença de mais de um minuto por bloco é reflexo do isolamento político do candidato do PL, que não conseguiu o apoio do Centrão para reforçar sua propaganda.

Regras do TSE e a formação do tempo de TV

O tempo de propaganda eleitoral no Brasil é definido com base no número de parlamentares que cada partido ou coligação possui na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Quanto maior a bancada, maior o tempo destinado ao candidato. A projeção considera a atual composição do Congresso e as alianças já formalizadas para a disputa presidencial.

No cenário atual, a coligação que apoia Lula reúne uma base parlamentar mais ampla, incluindo partidos como PT, PSB, PCdoB e outras legendas que, juntas, somam uma bancada expressiva. Já Flávio Bolsonaro conta com o apoio do PL e de partidos menores, mas não obteve a adesão de siglas do Centrão, como PP, Republicanos e PL, que em eleições anteriores já apoiaram a família Bolsonaro.

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Impacto do isolamento político

O isolamento de Flávio é visto por analistas como um reflexo da estratégia do Centrão, que busca manter distância de uma candidatura considerada polarizadora. Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve o apoio de partidos como PP e Republicanos, que lhe garantiram um tempo de TV maior. Para 2026, no entanto, essas legendas sinalizaram que devem lançar candidaturas próprias ou apoiar outro nome, deixando Flávio sem reforço na propaganda.

Especialistas em marketing político apontam que a diferença de tempo pode ser decisiva em uma campanha eleitoral, especialmente para um candidato que precisa se apresentar ao eleitorado. "O tempo de TV é um dos principais ativos de uma campanha. Ter menos de um minuto por bloco pode significar menos oportunidades de expor propostas e contrapor ataques", afirma o cientista político Carlos Machado, da Universidade de Brasília.

Comparação com eleições anteriores

Na eleição de 2022, Jair Bolsonaro teve um tempo de TV ligeiramente inferior ao de Lula, mas a diferença era menor. Agora, com a ausência do Centrão, a vantagem de Lula aumenta consideravelmente. A projeção mostra que, além do tempo a mais, Lula terá mais inserções ao longo da programação, o que amplia o alcance de sua mensagem.

Para a campanha de Flávio, a estratégia será focar em outros meios de comunicação, como redes sociais e eventos presenciais, para compensar a desvantagem. No entanto, a equipe do candidato reconhece que a propaganda obrigatória é fundamental para alcançar eleitores que não acompanham o dia a dia político.

Reações e expectativas

A equipe de Flávio Bolsonaro criticou a projeção, afirmando que o tempo de TV não reflete a força da candidatura. "Nosso candidato tem capilaridade e uma base fiel de eleitores. Vamos usar todos os instrumentos disponíveis para levar nossa mensagem ao povo brasileiro", disse um porta-voz da campanha.

Já a coordenação de campanha de Lula comemorou a vantagem, mas ponderou que é preciso trabalhar para manter o apoio parlamentar. "O tempo é importante, mas o que decide eleição é o debate de ideias e a capacidade de apresentar propostas para melhorar a vida das pessoas", afirmou o deputado federal José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara.

Próximos passos

Com a definição das chapas e das coligações, o TSE divulgará oficialmente o tempo de propaganda de cada candidato. A projeção atual pode mudar caso novas alianças sejam fechadas até o prazo legal. No entanto, a menos de um ano da eleição, o cenário indica uma vantagem clara para Lula no quesito visibilidade.

Para Flávio, a missão é tentar reverter o isolamento e buscar novos apoios. O Centrão, por sua vez, deve definir sua posição nos próximos meses, o que pode alterar o equilíbrio de forças na propaganda eleitoral.

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