Medo persiste em aldeia do Acre após operação da PF e reforço do Exército
Medo persiste em aldeia do Acre após ação da PF e Exército

Doze dias após uma reunião com o governo federal, as tropas do Exército foram enviadas para a Terra Indígena Ashaninka, no Acre, mas o medo ainda persiste entre as lideranças do povo Ashaninka, que cobram ações permanentes contra o avanço do narcotráfico na fronteira com o Peru. A informação foi dada pelo cacique Francisco Piyãko, que relatou que a presença militar ainda não é suficiente para garantir a segurança da comunidade.

Operação da PF e reforço militar

A Polícia Federal realizou uma operação entre os dias 19 e 25 de julho, mas as lideranças locais alegam que a ação não teve relação com a invasão ocorrida no dia 6. O cacique Piyãko destacou que, apesar do envio das tropas, a situação continua tensa e que as medidas precisam ser permanentes para conter a atuação de organizações criminosas que atuam na região.

De acordo com o cacique, a reunião com o governo federal ocorreu há 12 dias, e somente agora as tropas chegaram à área. Ele ressaltou que a demora na resposta oficial aumenta a sensação de vulnerabilidade entre os moradores da aldeia, que vivem sob constante ameaça do narcotráfico.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Pressão do crime organizado na fronteira

A Terra Indígena Ashaninka está localizada em uma área de fronteira com o Peru, rota utilizada por traficantes de drogas para o escoamento de entorpecentes. As lideranças do povo Ashaninka têm cobrado ações mais enérgicas das autoridades para impedir o avanço do crime organizado, que já resultou em invasões e conflitos na região.

O cacique Francisco Piyãko enfatizou que a comunidade não se sente segura apenas com operações pontuais. "Precisamos de uma presença constante do Estado, não apenas de ações temporárias", afirmou. Ele também mencionou que a população indígena vive em alerta constante, temendo represálias dos criminosos.

Reivindicações por políticas permanentes

As lideranças Ashaninka reivindicam a implementação de políticas públicas permanentes de segurança e proteção territorial. Eles solicitam maior efetivo policial, investimentos em infraestrutura e ações de inteligência para desarticular as redes de narcotráfico que atuam na região.

Além disso, os indígenas pedem que o governo federal dialogue diretamente com as comunidades para entender suas necessidades específicas e construir soluções conjuntas. A falta de diálogo e de ações efetivas tem gerado desconfiança entre os moradores, que se sentem abandonados pelo poder público.

Impacto na comunidade

A situação de insegurança tem impactado diretamente a vida dos Ashaninka, que vivem em constante tensão. Muitos jovens deixaram a aldeia em busca de segurança, e as atividades tradicionais, como a pesca e a agricultura, foram afetadas. O cacique Piyãko destacou que a comunidade está unida, mas que precisa de apoio externo para resistir à pressão do crime organizado.

"Nossa luta é pela sobrevivência do nosso povo e pela proteção do nosso território", disse o cacique. Ele espera que o governo federal atenda às reivindicações e que a presença das tropas não seja apenas temporária, mas sim o início de uma solução duradoura para o problema.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar