UE atribui crise em Ceuta a fake news e rejeita suspensão da Espanha
UE atribui crise em Ceuta a fake news e rejeita suspensão

A União Europeia realizou uma reunião de emergência nesta terça-feira (4) para discutir a crise migratória no território espanhol de Ceuta, atribuindo a gravidade do caso a uma campanha de desinformação nas redes sociais. O encontro virtual, convocado a pedido da Espanha e de mais de 20 países europeus, terminou sem medidas concretas, mas com um gesto político de unidade do bloco.

Reunião de emergência e posição da Espanha

O ministro espanhol do Interior, Fernando Marlaska, afirmou que dos 72 mil imigrantes que entraram ilegalmente em Ceuta, 70 mil já deixaram o território espanhol. A declaração foi feita durante a reunião, que contou com a participação de ministros de diversos países do bloco.

Países como Itália e Finlândia defendiam a suspensão da Espanha do Espaço Schengen, a zona de livre circulação de cidadãos que reúne 29 países europeus. No entanto, Marlaska destacou: "Ficou claro que o Espaço Schengen não foi de forma alguma comprometido por essa crise".

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Desinformação e tráfico humano como causas

O comissário europeu para Migrações, Magnus Brunner, afirmou que não há relação direta entre o episódio da semana passada e o projeto do governo espanhol de regularizar meio milhão de imigrantes. Ele atribuiu a onda migratória a redes criminosas de tráfico humano e a campanhas de fake news nas redes sociais.

Muitos imigrantes relataram ter recebido pelo celular vídeos e mensagens afirmando que as fronteiras da Espanha estavam abertas. Essa desinformação teria incentivado a travessia arriscada para Ceuta.

Situação atual em Ceuta

Cerca de 2 mil imigrantes ainda estão acampados nas praias de Ceuta, metade deles menores de idade. Um menino pedia que os soldados não o mandassem de volta para o Marrocos. Após a intervenção de moradores, ele foi levado para um centro de acolhimento.

O governo espanhol anunciou 25 milhões de euros para atender principalmente os menores desacompanhados e atualizou para 141 o número de mortos durante a travessia. Algumas pessoas ainda estão desaparecidas, e as famílias têm buscado informações nas redes sociais, as mesmas que serviram de combustível para a travessia arriscada.

Impacto político e próximos passos

A reunião entre os ministros da União Europeia terminou sem medidas concretas anunciadas. Foi mais um gesto político, para o bloco demonstrar união em um momento em que a crise vinha sendo politizada. A Espanha, por sua vez, reforçou seu compromisso com a gestão da crise e o acolhimento dos imigrantes.

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