Lula liga para Putin e defende aumento das exportações à Rússia
Lula liga para Putin e defende aumento das exportações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, nesta terça-feira, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Na ligação, Lula defendeu o aumento das exportações brasileiras para o país europeu, com o objetivo de reduzir o déficit comercial bilateral e ampliar a cooperação econômica entre as duas nações.

Uma conversa estratégica

Segundo o Palácio do Planalto, a conversa durou cerca de 40 minutos e abordou temas como a guerra na Ucrânia, a segurança alimentar global e as relações comerciais. Lula teria reforçado a importância de uma solução negociada para o conflito, posição já defendida pelo Brasil em fóruns internacionais.

O presidente brasileiro também destacou o potencial de crescimento das exportações de carne, grãos e fertilizantes para a Rússia. Atualmente, o Brasil exporta principalmente soja, milho e carne bovina, mas há espaço para diversificar a pauta, incluindo produtos industrializados e tecnologia.

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Déficit comercial em foco

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que, em 2025, o Brasil exportou US$ 9,6 bilhões para a Rússia e importou US$ 12,4 bilhões, gerando um déficit de US$ 2,8 bilhões. Lula teria afirmado que é possível reverter esse quadro em médio prazo.

Especialistas apontam que a Rússia é um mercado relevante para o agronegócio brasileiro, especialmente para carnes, que enfrentam barreiras sanitárias em outros destinos. A ampliação das exportações também poderia ajudar a equilibrar a balança comercial em um momento de queda nos preços das commodities.

Guerra na Ucrânia

Na conversa, Lula também teria renovado o apelo por paz e mencionado a proposta brasileira de criar um grupo de países mediadores para o conflito. Putin, por sua vez, teria agradecido a posição equilibrada do Brasil e reafirmado a disposição de dialogar.

Analistas políticos avaliam que a ligação reforça a estratégia do governo Lula de manter canais abertos com todos os atores globais, mesmo diante de pressões ocidentais. O Brasil tem evitado condenar explicitamente a Rússia, optando por uma postura de neutralidade ativa.

Impacto para o agronegócio

Para o setor agropecuário, a notícia é positiva. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, disse que "a Rússia é um comprador tradicional de frango e carne suína brasileira, e qualquer sinal de ampliação do comércio é bem-vindo". Ele lembrou que, em 2024, o país importou 350 mil toneladas de frango do Brasil.

No entanto, há desafios logísticos e sanitários a superar. A Rússia impõe quotas e certificações rígidas para produtos agropecuários. O governo brasileiro terá de negociar acordos fitossanitários e reduzir custos de frete para tornar as exportações competitivas.

Diplomacia pragmática

A ligação de Lula a Putin ocorre em um momento de aproximação entre os dois países, que já realizaram várias reuniões bilaterais em 2026. O Brasil também tem interesse em tecnologia nuclear e espacial russa, áreas que podem ser incluídas em futuros acordos.

O Itamaraty informou que a conversa é parte de uma agenda mais ampla de cooperação, que inclui a realização de uma comissão bilateral de alto nível no segundo semestre. A expectativa é que novos acordos sejam assinados durante a visita de Putin ao Brasil, prevista para novembro.

Enquanto isso, o governo brasileiro trabalha para ampliar a presença de empresas nacionais na Rússia, especialmente nos setores de máquinas agrícolas, autopeças e fármacos. A diversificação da pauta exportadora é vista como essencial para reduzir a dependência de poucos produtos.

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