O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista à TV argentina LN+, uma semana após sua vinda ao Brasil. Nas declarações, o líder de direita chamou Lula de "ladrão" e "corrupto", além de reiterar questionamentos à decisão judicial que anulou a prisão do petista em 2019. As novas falas aumentam a tensão diplomática entre os dois países vizinhos.
Declarações de Milei
"Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico", afirmou Milei. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou todas as condenações impostas a Lula pela Justiça Federal do Paraná no âmbito da Operação Lava Jato, depois de o petista passar um ano e meio preso. O plenário da corte entendeu que a condução das investigações e do julgamento dos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e das doações ao Instituto Lula, dos quais Lula era réu, foi parcial.
Ao defender as falas, Milei disse que "é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar". "Foram palavras espontâneas", declarou.
Contexto de tensão diplomática
Os novos ataques ocorrem poucos dias depois de o Brasil chamar de volta seu embaixador em Buenos Aires para consultas. As relações entre os dois governos vivem um dos momentos de maior tensão dos últimos anos. Apesar disso, os laços comerciais e institucionais entre Brasil e Argentina seguem mantidos. Até o momento, o governo brasileiro não divulgou uma nova resposta oficial às declarações do presidente argentino.
A escalada no tom ocorre em meio a um contexto de crescente confronto político entre Milei e Lula. Os dois mantêm divergências públicas desde a campanha presidencial argentina de 2023.
Troca de farpas
Na semana passada, durante um evento político em São Paulo para apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Milei já havia chamado Lula de "ladrão", "corrupto", "presidiário" e "lixo socialista". A resposta do governo brasileiro foi imediata. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para manifestar formalmente o descontentamento do governo Lula com as declarações. Ao mesmo tempo, o Itamaraty chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli.
Em nota, o governo brasileiro classificou o episódio como um acontecimento "sem precedentes". O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil considera o caso grave, mas descartou, por ora, medidas mais duras, como a retirada de representantes diplomáticos.
Resposta de Lula
Inicialmente, Lula evitou entrar diretamente na polêmica. Questionado por jornalistas sobre Milei, respondeu com ironia: "Quem é esse cara?". Dias depois, porém, o presidente brasileiro passou a adotar um tom mais duro e classificou como uma "patacoada" a participação de Milei no evento do Partido Liberal, em São Paulo. Durante um ato do PSB, Lula também afirmou que não aceitará interferências externas no processo político do país.
"Vocês viram aqui a papaguada [sic] que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa. E não adianta falar bravo, porque eu não vou ficar bravo. O cara fez cara feia eu faço cara bonita. O cara demonstra ódio eu demonstro amor", disse Lula.
O governo brasileiro ainda não se posicionou sobre os novos ataques feitos por Milei.



