O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira (4) que o país está determinado a defender sua integridade territorial, mas não tem nenhuma intenção de expandir o conflito em curso na região. A afirmação foi divulgada pela mídia estatal iraniana, que citou o líder em uma mensagem oficial.
“Protegeremos nossa integridade territorial, mas não temos intenção de ampliar o conflito. Devemos trabalhar para construir uma sociedade que não ofereça ao inimigo qualquer tentação de interferir, qualquer abertura para se infiltrar e qualquer meio de nos dividir ou desmantelar”, disse Pezeshkian, em um tom que busca equilibrar firmeza e moderação.
Contexto de tensões crescentes
A declaração surge em um momento de escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos, apenas um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que o governo iraniano precisa escolher entre um “acordo” ou a “rendição total” na guerra. Na segunda-feira (3), Trump também revelou que as conversas entre Washington e Teerã haviam sido retomadas, classificando o momento como a “última chance” para um entendimento.
“A liderança iraniana é inacreditavelmente dúbia! Eles pedem uma reunião —alguns diriam que ‘imploram’— as conversas começam, com outras já marcadas para o futuro imediato, e então dizem de forma aberta e orgulhosa que não estão tendo nenhuma discussão, que nada está sendo tratado, e que estão lidando apenas com ‘Omã’”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
Em seguida, o presidente americano afirmou que o Estreito de Ormuz está “completamente” sob controle da Marinha dos EUA e que “nada [em termos comerciais] chega ao Irã a menos que queiramos, e nada chegará, a menos que um acordo ou uma rendição total seja alcançado”.
Irã nega negociações em andamento
O governo iraniano, no entanto, desmente qualquer negociação em curso. Nesta terça-feira, veículos estatais reiteraram que Teerã não planejou nenhuma rodada de conversas com os EUA, contradizendo diretamente as declarações de Trump. A posição oficial iraniana é de que não há tratativas com Washington.
A fala do presidente americano representa uma mudança de tom em relação aos últimos dias. No fim de semana, Trump afirmou que aliados do Oriente Médio haviam definido os termos de um possível acordo para encerrar a guerra e disse ter desistido de atacar a infraestrutura elétrica iraniana diante dessa perspectiva. Ele também anunciou que as negociações seriam retomadas nesta semana.
O regime iraniano, por sua vez, insiste que não mantém diálogo com os EUA e afirma estar próximo de um acordo com Omã para a criação de uma nova rota de trânsito de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.
Estreito de Ormuz: artéria vital do petróleo
O Estreito de Ormuz é uma “artéria” da indústria petrolífera, por onde passava cerca de 20% de todo o petróleo do mundo. Seu fechamento durante um período de conflito teria um forte impacto na economia global, elevando os preços do barril e afetando cadeias de suprimento.
Enquanto o impasse persiste, a guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio completou cinco meses no fim de semana, sem perspectiva de término. A navegação comercial segue ameaçada, com o trânsito nos estreitos de Ormuz e de Bab El-Mandeb estrangulado.
Paralelamente, países árabes e europeus estão em tratativas para criar uma coalizão internacional de segurança marítima, com o objetivo de proteger as rotas comerciais e evitar uma escalada ainda maior do conflito. A iniciativa, no entanto, enfrenta desafios diplomáticos, dada a complexidade das alianças na região.



