O colunista Merval Pereira, do jornal O Globo, publicou análise nesta segunda-feira afirmando que a eleição presidencial marcada para daqui a dois meses deve ser encarada menos como uma chance de renovação imediata e mais como uma etapa da travessia política que o país fará rumo a 2030. Para ele, o pleito de outubro não representa uma ruptura, mas um degrau de um processo mais longo de realinhamento partidário e de projetos de poder.
O contexto da análise
No texto intitulado “Os sem-sem”, Merval Pereira argumenta que os principais candidatos à Presidência não oferecem, neste momento, alternativas claras de transformação estrutural. A seu ver, as disputas atuais estão mais focadas em evitar o retrocesso do que em construir um novo modelo de gestão pública. O colunista cita a foto histórica da posse do presidente Fernando Henrique Cardoso, ao lado do vice Marco Maciel, no Rolls Royce presidencial, para ilustrar a diferença de cenários políticos entre 1995 e 2026.
Segundo Pereira, a eleição de 2026 será um teste para as forças políticas que já se articulam com vistas à sucessão de 2030. Ele observa que movimentos recentes de líderes partidários e pré-candidatos indicam que o próximo mandato presidencial será, na prática, um período de transição e de preparação para uma disputa mais decisiva no final da década.
Os “sem-sem” e a falta de projeto
O colunista utiliza a expressão “sem-sem” para caracterizar candidatos que, em sua avaliação, não têm um projeto claro de país, mas também não representam uma rejeição total ao atual sistema. Seriam, na sua leitura, figuras políticas que oscilam entre a crítica ao governo e a defesa de pautas vagas, sem oferecer soluções concretas para os problemas estruturais do Brasil, como a reforma tributária, a segurança pública e o crescimento econômico.
Merval Pereira destaca que a ausência de um debate aprofundado sobre esses temas é preocupante, pois o próximo presidente terá que lidar com um Congresso fragmentado e com uma sociedade polarizada. Ele lembra que, mesmo com a popularidade do atual governo em baixa, a oposição não conseguiu capitalizar plenamente esse descontentamento, justamente pela falta de um discurso coeso e de propostas factíveis.
Impacto para 2030
Na visão do colunista, o resultado das urnas em 2026 definirá o tabuleiro político para a eleição seguinte. Os partidos que saírem fortalecidos agora terão mais chances de lançar candidaturas competitivas em 2030, enquanto as legendas que amargarem derrotas expressivas poderão sofrer reestruturações internas. Ele cita, por exemplo, a possível fragmentação de blocos partidários e a emergência de novas lideranças regionais.
Pereira também observa que a eleição de 2026 servirá como um indicador do humor do eleitorado em relação aos grandes temas nacionais, como a economia, o combate à corrupção e as políticas sociais. Para ele, os candidatos que conseguirem traduzir essas demandas em propostas claras terão mais chances de se consolidar como protagonistas no cenário de 2030.
Análise de Merval Pereira
O artigo encerra com uma reflexão sobre o papel dos analistas políticos e da imprensa nesse processo. Merval Pereira defende que é papel dos formadores de opinião cobrar dos candidatos um posicionamento mais claro e propositivo, em vez de se contentarem com discursos genéricos. Ele conclui que a travessia para 2030 será longa e exigirá maturidade política tanto dos governantes quanto dos eleitores.



