A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar o pagamento de R$ 300 mil feito por uma empresária, amiga do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-chefe de gabinete da Presidência da República, segundo informações da revista Crusoé. O caso ganhou repercussão e levanta novas suspeitas sobre possíveis irregularidades envolvendo o círculo próximo ao ex-presidente.
Detalhes do pagamento
De acordo com a publicação, a empresária, que não teve o nome revelado, teria feito a transferência para a conta do ex-chefe de gabinete, identificado como Mauro Menezes, que atuou no governo Lula entre 2003 e 2010. O pagamento teria ocorrido em 2019, quando o ex-presidente já estava preso em Curitiba, em decorrência da Operação Lava Jato.
Segundo a Crusoé, a empresária é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e teria realizado a transferência após uma reunião com ele. O valor, de R$ 300 mil, seria referente a um suposto empréstimo, mas a origem dos recursos e a finalidade do pagamento são alvo de questionamentos por parte dos investigadores.
Reações e posicionamento
Em nota, a defesa de Mauro Menezes afirmou que o pagamento foi legal e que se tratava de um empréstimo pessoal, com contrato registrado em cartório e devidamente declarado à Receita Federal. A defesa de Lulinha, por sua vez, negou qualquer envolvimento no caso e disse que não comentaria investigações em andamento.
O ex-presidente Lula, por meio de sua assessoria, também se manifestou, classificando a notícia como "mais uma tentativa de criminalizar o ex-presidente e sua família" e afirmando que não há qualquer irregularidade nos fatos narrados.
Contexto da investigação
A investigação da PF está em fase inicial e corre sob sigilo na Justiça Federal de Brasília. Os investigadores buscam identificar se houve algum crime como lavagem de dinheiro, corrupção ou tráfico de influência. O caso é mais um capítulo nas investigações que envolvem o entorno do ex-presidente Lula, que já respondeu a diversos processos na Lava Jato.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a simples realização de um empréstimo entre particulares não configura crime, mas a origem do dinheiro e a relação entre as partes podem levantar suspeitas. "Se houver indícios de que o dinheiro tem origem ilícita, ou se o pagamento foi feito para beneficiar interesses escusos, aí sim pode configurar crime", explicou o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.
Próximos passos
A PF deve ouvir a empresária, Mauro Menezes e Lulinha nos próximos dias. Também serão analisadas quebras de sigilo bancário e fiscal para rastrear a origem do dinheiro. O caso pode gerar novos desdobramentos e pressionar ainda mais o ex-presidente, que tenta viabilizar sua candidatura para as eleições de 2026.
Até o momento, nem a PF nem o Ministério Público Federal se pronunciaram oficialmente sobre o caso, que segue em investigação.



