Andy Burnham é confirmado novo líder trabalhista e será premiê do Reino Unido
Andy Burnham é confirmado novo líder trabalhista e premiê

O ex-ministro Andy Burnham foi confirmado nesta sexta-feira (17) como o novo líder do Partido Trabalhista, tornando-se o candidato único para assumir o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. A confirmação era o último passo para que ele possa assumir o governo britânico, após a renúncia de Keir Starmer no fim de junho.

Burnham assume após meses de crise

Burnham foi o único candidato dos trabalhistas para substituir Starmer, que anunciou a renúncia ao cargo após meses de pressão. A cerimônia de posse como primeiro-ministro está marcada para segunda-feira (20). Em discurso após ser anunciado como o novo chefe da sigla, Burnham negou divisões dentro de seu partido. "Estamos unidos", discursou.

Controle de preços para conter inflação

O novo líder sinalizou que vai apertar o controle de preços de bens essenciais para tentar conter a alta da inflação no Reino Unido, um dos motivos da crise que culminou na renúncia de Starmer. "Se não temos controle público suficiente sobre o custo de bens essenciais, como podemos conter a inflação?", questionou. Burnham também afirmou que governará para todas as regiões do Reino Unido: "Serei um líder para o norte, o sul, o leste e oeste".

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A crise que derrubou Starmer

O governo de Starmer, um ex-advogado e trabalhista tradicional, durou menos de dois anos, mesmo que ele tenha sido eleito com uma rara maioria no Parlamento e em uma vitória esmagadora sobre os conservadores. Aos poucos, a credibilidade e confiança no governo caíram, tornando-o o premiê com o pior índice de aprovação no Reino Unido em 50 anos. Entre os fatores estão: economia estagnada, cortes de subsídios para idosos e aumento de impostos; revelação de que Starmer e ministros aceitaram presentes de doadores, como roupas de grife e ingressos para shows; a renúncia de seu chefe de gabinete em fevereiro de 2026 por ter indicado Peter Mandelson para embaixador nos EUA, sabendo de seus vínculos com Jeffrey Epstein; e a derrota histórica nas eleições regionais de maio, com perda de centenas de assentos em parlamentos locais.

Popularidade em queda livre

Em maio, apenas 13% dos britânicos aprovavam seu governo, enquanto 79% rejeitavam sua liderança, o pior índice desde 1977. Antes de anunciar a renúncia, Starmer foi pressionado por cerca de 100 parlamentares do próprio partido que exigiram publicamente sua saída. O premiê conseguiu se segurar por semanas, mas renunciou após apenas 23 meses no cargo.

No Reino Unido, o primeiro-ministro não é eleito diretamente. Ele é escolhido pelos parlamentares do partido que venceu a eleição geral – atualmente o Partido Trabalhista. O cargo, em geral, cabe ao líder do partido.

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