A pesquisa Quaest de julho de 2026, encomendada pela Genial Investimentos e divulgada nesta quarta-feira, revela que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na corrida presidencial, com 40% das intenções de voto no primeiro turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 28%, uma oscilação dentro da margem de erro de dois pontos percentuais em relação ao levantamento de junho, quando tinha 29%.
Lula lidera no primeiro e segundo turnos
No cenário estimulado para o primeiro turno, Lula (PT) tem 40%, Flávio Bolsonaro (PL) 28%, Ronaldo Caiado (PSD) 4%, Renan Santos (Missão) 3%, Romeu Zema (Novo) 2%, e outros pré-candidatos somam 4%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Escritor Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) têm 1% cada. Edmilson Costa (PCB), Heró Bezerra (PRTB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram.
No segundo turno, Lula aparece com 45% contra 37% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de oito pontos percentuais. No mês passado, a distância era de seis pontos. Lula também venceria cenários contra Caiado, Renan e Zema.
Aprovação do governo Lula empata tecnicamente com desaprovação
Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação do governo Lula superou numericamente a desaprovação, mas ainda em empate técnico: 48% aprovam e 47% desaprovam. A avaliação positiva e negativa do governo também empatam numericamente, com 36% cada, enquanto 26% consideram a gestão regular. A melhora na percepção ocorre até entre grupos onde Flávio Bolsonaro costuma ter melhor desempenho, como pessoas com renda superior a cinco salários mínimos e moradores das regiões Sul e Centro-Oeste.
Economia impulsiona indicadores de Lula, diz diretor da Quaest
Felipe Nunes, diretor da Quaest, associa a melhora nos indicadores de Lula à percepção positiva da economia. Ele cita três fatores: o programa Desenrola, que reduziu dívidas; a discussão sobre o fim da escala 6x1, que gerou expectativa de mais qualidade de vida; e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados conhecem o Desenrola, 55% o consideram uma boa iniciativa, e 35% afirmam que a renda aumentou significativamente após o programa. Sobre o fim da jornada 6x1, 69% são a favor e 50% esperam trabalhar menos. A isenção do IR já fez 24% sentirem aumento significativo na renda, ante 15% em fevereiro.
Flávio Bolsonaro enfrenta fragilidade após caso Master e briga com Michelle
Felipe Nunes aponta que a pré-campanha de Flávio vive um momento de “fragilidade”. Desde maio, quando veio à tona sua relação com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, seus indicadores pioraram. Entre eleitores da direita não bolsonarista, a intenção de voto em Flávio caiu de 74% em maio para 54% em julho. Além disso, a briga pública com a madrasta Michelle Bolsonaro, que publicou vídeo alegando ter sido humilhada pelo enteado, gerou desgaste: 42% dos eleitores concordam com Michelle, enquanto 18% ficam ao lado de Flávio. Na direita, 35% acham que Michelle acertou ao divulgar o vídeo, e 20% do bolsonarismo pensam o mesmo. Mesmo assim, Nunes afirma que nenhum outro nome aparece mais competitivo contra Lula.
Impacto do caso Jaques Wagner na campanha de Lula
Esta foi a primeira pesquisa Quaest desde que a Polícia Federal detalhou a conexão do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o caso Master. Para 62% dos brasileiros, a operação contra Wagner pode ser prejudicial à campanha de reeleição de Lula — 37% consideram o impacto “muito negativo” e 25% “um pouco negativo”. Além disso, 43% veem o caso como uma “questão institucional do governo Lula”, enquanto 35% o tratam como assunto pessoal do senador. Segundo a PF, Wagner é suspeito de receber vantagens indevidas do Banco Master, como uso de aeronaves, ingressos para shows e aquisição de um apartamento de luxo, em troca de atuação no Congresso em defesa dos interesses do banco.
Metodologia
A pesquisa Quaest de julho foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O registro no TSE é BR-07181/2026.



