Os preços do petróleo seguiam em alta nesta terça-feira, atingindo o maior nível em quatro semanas, depois que os Estados Unidos restabeleceram um bloqueio naval ao Irã e a retomada dos ataques entre Washington e Teerã aumentou as preocupações com o fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz. O petróleo Brent alcançou seu maior valor desde 12 de junho, e o WTI, desde 16 de junho – antes de os Estados Unidos e o Irã assinarem um memorando de entendimento para encerrar o conflito em 17 de junho.
Brent e WTI registram altas expressivas
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 3,17, ou 3,81%, para US$ 86,47 por barril às 6h41 (horário de Brasília), enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subia US$ 2,15, ou 2,75%, para US$ 80,29 por barril. "Apesar da assinatura do memorando de entendimento e do acordo, ele não durou nem algumas semanas. Essa é a preocupação que o mercado está tentando precificar agora", disse a analista da ANZ, Soni Kumari. "Acreditamos que o pico da escalada já passou, mas existem riscos de alta para os preços do petróleo se essas interrupções continuarem, o que manterá os preços na faixa de US$ 85 a US$ 90."
Hostilidades se intensificam e afetam navegação
As hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã se intensificaram esta semana, com o presidente americano Donald Trump restabelecendo o bloqueio à navegação iraniana e propondo a cobrança de uma taxa de 20% para proteger o Estreito de Ormuz. A hidrovia é uma artéria crucial para o comércio global de energia, responsável por cerca de um quinto do fornecimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do início do conflito. Em meio aos ataques, um tripulante indiano foi morto e outros oito ficaram feridos quando dois petroleiros dos Emirados Árabes Unidos foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos no Estreito de Ormuz, informou o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos.
Queda no trânsito de petroleiros e riscos geopolíticos
Dados de navegação divulgados na segunda-feira também mostraram que o número de petroleiros transitando pelo Estreito de Ormuz caiu no último dia para o nível mais baixo em dois meses. O Citi afirmou em nota que a possibilidade de o regime iraniano abandonar o memorando de entendimento até depois das eleições de meio de mandato nos EUA também aumentou, um cenário que provavelmente levaria a preços do petróleo mais altos por um período mais longo. No entanto, as exportações de petróleo do Irã continuam normalmente, apesar do cancelamento, na semana passada, de uma isenção de 60 dias das sanções petrolíferas americanas, afirmou o ministro do Petróleo, Mohsen Paknejad, em sua conta oficial no Telegram.
Ameaças adicionais: Houthis e ataques a refinarias russas
Em outro contexto, o movimento Houthi do Iêmen lançou mísseis contra a Arábia Saudita após acusar o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle na segunda-feira. "Se os Houthis estenderem seus ataques aos produtos petrolíferos sauditas no Mar Vermelho, isso poderá gerar ainda mais incertezas sobre o fluxo de petróleo bruto da região", disse Simon Wong, gestor de portfólio da Gabelli Funds, em nota. Enquanto isso, as forças armadas da Ucrânia informaram na terça-feira que atacaram duas refinarias de petróleo russas nas regiões do Bascortostão e Krasnodar durante a noite.



