Petróleo a US$ 85: escalada no Estreito de Ormuz dispara preço
Petróleo a US$ 85 com conflito no Estreito de Ormuz

O preço do petróleo Brent disparou nesta segunda-feira, atingindo US$ 85 o barril, o maior patamar em mais de um ano, impulsionado pela escalada do conflito no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A alta reflete o temor de interrupção no fornecimento global da commodity, após ataques a navios petroleiros na região.

Ataques elevam prêmio de risco

De acordo com analistas do banco Goldman Sachs, o prêmio de risco geopolítico embutido no preço do petróleo saltou de US$ 5 para cerca de US$ 12 por barril nas últimas 48 horas. Os ataques, reivindicados por grupos apoiados pelo Irã, atingiram dois navios de bandeira liberiana próximo ao estreito, provocando incêndios e danos estruturais. Nenhuma tripulação ficou ferida, mas a passagem de embarcações foi temporariamente suspensa.

Impacto imediato nos mercados

O Brent, referência internacional, fechou em alta de 4,2%, a US$ 85,03, enquanto o WTI americano avançou 3,9%, a US$ 81,75. O movimento ocorre em meio a um mercado já apertado, com a Opep+ mantendo cortes de produção de cerca de 2 milhões de barris por dia. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que uma paralisação total do estreito poderia retirar até 17 milhões de barris diários do mercado, equivalente a 20% do consumo global.

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Reações de governos e empresas

O governo dos Estados Unidos condenou os ataques e afirmou estar em contato com aliados para garantir a liberdade de navegação. "Estamos monitorando de perto a situação e não hesitaremos em tomar as medidas necessárias para proteger os fluxos de energia globais", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller. A Arábia Saudita, maior exportadora da Opep, declarou que aumentará sua capacidade de produção ociosa para compensar possíveis interrupções, mas analistas duvidam que isso seja suficiente no curto prazo.

Perspectivas para os próximos dias

O mercado de opções indica que os traders precificam uma probabilidade de 30% de que o Brent ultrapasse US$ 90 nos próximos 30 dias, caso o conflito se intensifique. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 30% do petróleo transportado por via marítima, já foi palco de tensões anteriores, mas a atual escalada é considerada a mais grave desde 2019, quando ataques a instalações sauditas elevaram o preço momentaneamente.

Para o consumidor brasileiro, a alta pode pressionar os preços dos combustíveis nas refinarias da Petrobras, que adota a política de paridade internacional. A estatal não se pronunciou oficialmente, mas especialistas estimam que reajustes na gasolina e no diesel podem ocorrer nos próximos dias se o barril se mantiver acima de US$ 85.

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