Um agente federal de imigração atirou de forma fatal em um motorista no estado do Maine nesta segunda-feira, 13. É a segunda vez em uma semana que funcionários do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) recorreram ao uso de força letal e pelo menos a nona vez desde que o presidente Donald Trump iniciou sua campanha de repressão à imigração.
Identificação da vítima e contexto
Grupos de defesa dos direitos dos imigrantes identificaram o homem morto como um colombiano de 26 anos. O Departamento de Segurança Interna dos EUA informou, em publicação no X, que o ICE estava monitorando um endereço de uma pessoa com ordem definitiva de deportação. Quando tentaram parar um veículo vindo daquele endereço, “o veículo tentou fugir do local e, temendo pela segurança pública, um agente disparou sua arma”, afirmou o departamento.
Versão do senador Angus King
O senador Angus King disse que o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, lhe contou que o policial abriu fogo após o homem tentar usar o veículo como arma contra agentes em Biddeford. “Ele estava dentro de um veículo – saiu com o veículo, e o termo que o secretário usou foi que o veículo foi ‘transformado em arma’ e foi baleado por um agente do ICE”, afirmou King. O senador independente disse que os agentes cumpriam mandado de prisão que não era contra a pessoa baleada. King acrescentou que Mullin corrigiu informações anteriores, indicando que o homem não era alvo da operação. Os agentes não usavam câmeras corporais, segundo o parlamentar. “A questão é: o que ele fez com o veículo? Os policiais foram ameaçados? As ameaças chegaram a um nível que justificasse o uso de força letal?”, questionou King.
Investigação e reações
A senadora Susan Collins, republicana do Maine, afirmou que Mullin informou que o Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna investiga o caso em cooperação com o FBI. O gabinete do procurador-geral do Maine, que também investiga, disse que declarações iniciais sugerem que o motorista tentava fugir na direção do agente. O agente foi afastado das funções.
Vítima tinha autorização de trabalho
Dois grupos de defesa – a Coalizão pelos Direitos dos Imigrantes do Maine e a Presente! – afirmaram que o homem estava autorizado a trabalhar nos EUA. A família ainda não está pronta para falar, segundo Mufalo Chitam, diretor executivo da Coalizão. Mary Hayes, vizinha do local, disse que o homem morava com a esposa e a filha. “Vi uma esposa cair de joelhos ao ver o corpo sem vida do marido no chão”, relatou Hayes à AP, segurando um cartaz com os dizeres “No Ice Stop Ice”. “Vi uma menina chorando com uma mochilinha rosa nas costas porque nunca mais vai ver o pai.” A Embaixada da Colômbia informou que está em contato com autoridades americanas para confirmar a identidade e nacionalidade.
Testemunho de comerciante local
A lojista Sadie Dilboy disse que o homem frequentava sua lavanderia com a filha, a quem dava moedas para doces. “Ele era uma pessoa tão boa. Estava sempre limpando o local”, afirmou.
Protestos contra o ICE
Dezenas de manifestantes contrários ao ICE e à repressão migratória de Trump se reuniram em Biddeford horas após o tiroteio. Amy Goodman, de Wells, levou um cartaz “Parem de nos matar” direcionado aos policiais. “Infelizmente, é algo que estamos vendo com muito mais frequência ultimamente, e estou furiosa com isso”, disse Goodman. A polícia bloqueou o acesso ao bairro residencial e comercial onde ocorreu o incidente.



