Ucrânia muda tática e ataca economia russa, mira Wildberries
Ucrânia muda tática e ataca economia russa

A guerra entre Ucrânia e Rússia entrou em uma nova fase, com a Ucrânia concentrando seus ataques em alvos econômicos russos, como a gigante do comércio online Wildberries, enquanto a Rússia continua a bombardear áreas civis ucranianas. A mudança de estratégia ucraniana visa não apenas causar prejuízos materiais, mas também minar a economia russa e demonstrar à população russa que a guerra tem custos reais.

Ataques a civis e a nova postura ucraniana

Em um incidente recente, um vendedor de rua ucraniano teve um encontro angustiante com um drone russo. Perseguido pela pequena máquina, o homem tentou desesperadamente mostrar que não era um alvo militar. "Eu tentava mostrar para o drone: aqui só tem vegetais, nada militar. Eu não tinha para onde correr", relatou o vendedor, que sobreviveu por sorte. A Ucrânia classificou o ataque como crime de guerra e acusou o operador russo de ser "sádico", afirmando que ele sabia que mirava um inocente.

As forças ucranianas também têm realizado bombardeios que atingem civis. Subiu para quatro o número de crianças mortas em um ataque a uma praia em um resort no Mar Negro, atribuído pela Rússia à Ucrânia. Essa situação gera críticas, inclusive de especialistas. "Há uma sensação de que os russos sentiam pouco os efeitos da guerra. Agora, a Ucrânia vai além e cruza algumas linhas vermelhas importantes, gerando inclusive danos civis - algo que era criticado pela Ucrânia quando era a Rússia que fazia e, nesse momento, a Ucrânia faz algo mais ou menos parecido", analisa Tanguy Baghdadi, professor de Relações Internacionais.

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Wildberries: o alvo estratégico

Um dos principais alvos dos bombardeios ucranianos tem sido a Wildberries, a maior empresa de vendas online da Rússia, muitas vezes comparada à Amazon. A empresa, fundada pela mulher mais rica da Rússia, Tatyana Kim, de origem coreana, opera em oito países do Leste Europeu e da Ásia Central. A Wildberries já classificou os ataques ucranianos como "atos de terrorismo".

Entre segunda-feira (3) e terça-feira (4), a Ucrânia bombardeou mais dois armazéns da Wildberries, elevando para pelo menos 15 o número de depósitos danificados. A empresa movimenta cerca de US$ 75 bilhões por ano, tornando-se um alvo econômico significativo. No entanto, a escolha não é apenas simbólica.

Estratégia financeira e dívidas bilionárias

A Wildberries e sua concorrente, a Ozon, tornaram-se estratégicas para o governo de Vladimir Putin, que aposta no comércio online para impulsionar a economia e a arrecadação em meio a altos gastos militares. "Você tem uma ligação muito intensa entre Wildberries e governo. Recentemente, por exemplo, o governo disse que a Wildberries não é obrigada a ressarcir o consumidor caso seu pedido seja danificado em algum tipo de ataque. Isso tudo vai gerando, portanto, insatisfações. A ideia ucraniana é naturalmente gerar prejuízo, mas também tentar mostrar que a população russa também é impactada", explica Baghdadi.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirma que a Wildberries vende equipamentos militares para o Exército russo, o que tornaria os alvos legítimos. Contudo, um conselheiro de Zelensky já admitiu que os ataques têm também um objetivo financeiro. Segundo um serviço de inteligência ucraniano, a Wildberries deve cerca de US$ 14 bilhões a bancos russos, quase metade desse valor a um único banco estatal. Se a empresa quebrar, essa dívida poderia abalar o sistema financeiro da Rússia.

Guerra de quase cinco anos

Essa nova estratégia ucraniana, mais agressiva, marca uma escalada no conflito que já dura quase cinco anos. A guerra, que começou com a invasão russa em fevereiro de 2022, evoluiu para uma disputa que envolve não apenas o campo de batalha, mas também a economia e a infraestrutura civil. A comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos, enquanto os ataques a civis e a infraestrutura econômica continuam a causar mortes e destruição.

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