Tenda entra no Ibovespa após lucro recorde no 2º trimestre
Tenda entra no Ibovespa após lucro recorde

A construtora Tenda está prestes a entrar no Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira B3, após quase duas décadas de sua estreia no mercado de capitais. A informação consta da primeira prévia da carteira teórica para o quadrimestre que começa em setembro. A empresa, que já é conhecida do mercado doméstico, cumpriu os critérios de negociabilidade exigidos pela B3 e deve ser incluída no índice que reúne as ações mais negociadas do país.

Prévia do Ibovespa e critérios de elegibilidade

A nova carteira do Ibovespa entra em vigor em 8 de setembro, mas sua composição final depende dos volumes de negociação até o final de julho. Até lá, a B3 divulgará duas outras prévias, em 17 e 31 de agosto. Para que uma ação seja incluída no índice, ela precisa estar entre os 85% dos papéis mais negociados da bolsa, em ordem decrescente de Índice de Negociabilidade (IN), considerando os três períodos de vigência anteriores. Além disso, é necessário que o ativo tenha presença em pelo menos 95% dos pregões nesses períodos e que sua cotação não seja inferior a R$ 1.

A possível estreia da Tenda no Ibovespa não surpreende o mercado. Desde o fim de junho, o Bank of America (BofA) já projetava a entrada da construtora no indicador, citando a melhora do seu Índice de Negociabilidade. No ano até aqui, a ação registrou média de 11,5 mil negócios por pregão, contra 8,5 mil em 2025, o que evidencia o aumento do interesse dos investidores.

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Desempenho operacional sólido e estratégia no Minha Casa, Minha Vida

Esse aumento no número de negócios reflete o acompanhamento mais próximo do mercado sobre o desempenho operacional da companhia, considerado sólido. A prévia do segundo trimestre da construtora indica um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,680 bilhão, alta de 54,4% em relação ao mesmo período de 2025 e de 18,8% sobre os três primeiros meses de 2026. Nas vendas líquidas, o segmento Tenda encerrou o período com R$ 1,318 bilhão, crescimento anual de 25,4%, e velocidade sobre a oferta líquida (VSO Líquida) de 23,9%.

Esses resultados são fruto de uma estratégia focada no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). O programa tem sustentado a demanda no segmento popular e ganhou força com ajustes recentes, como a elevação do teto de valor dos imóveis e a ampliação da faixa de renda elegível. Nesse contexto, a Tenda acumula um ganho superior a 50% na Bolsa nos últimos 12 meses, o maior entre as construtoras ligadas ao MCMV.

Recomendações de compra e visão de analistas

A Tenda é a Top Pick do BTG Pactual no segmento de construção voltada à baixa renda. O banco tem recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 44, o que representa uma valorização potencial de 45% em relação ao fechamento de 31 de julho. "Também avaliamos que a companhia está mais bem preparada para enfrentar um cenário de custos de construção mais elevados, beneficiando-se de ganhos de eficiência em projetos mais antigos e de espaço para reajustes de preços nos novos lançamentos", afirmam os estrategistas do BTG.

Nos últimos 30 dias, porém, o papel passou por uma realização de lucros de cerca de 15%, o que gerou dúvidas sobre a continuidade de seu rali. O Itaú BBA, no entanto, vê nesse movimento um ponto de entrada atrativo para as ações, com uma oportunidade tática de compra. O banco também tem a Tenda como preferência do setor. Para o analista Igor Caixeta, a empresa vem apresentando evolução operacional consistente, com expansão de margens e aumento da rentabilidade. Ele aponta ainda um potencial catalisador adicional: os últimos dados de inflação vieram abaixo do esperado, reacendendo a perspectiva de cortes de juros no Brasil.

Resultados do segundo trimestre e revisão de metas

Na noite desta terça-feira, 4, a Tenda divulgou seu balanço do segundo trimestre de 2026. A empresa registrou lucro líquido consolidado de R$ 161,3 milhões, um salto de 109% em relação ao mesmo período de 2025. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado e ajustado somou R$ 275,2 milhões no trimestre, avanço de 64,9% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada foi de 37,3%, aumento de 5,3 pontos percentuais.

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A receita líquida consolidada totalizou o recorde de R$ 1,29 bilhão, expansão de 30%, impulsionada pelo aumento do número de apartamentos vendidos e também pelo crescimento do preço médio por unidade.

Diante dos resultados acima do esperado e do alívio no quadro inflacionário para os próximos meses, a Tenda decidiu elevar suas metas para 2026. A projeção para o lucro líquido consolidado (excluindo o contrato de derivativo de ações) foi ampliada da faixa de R$ 520 milhões a R$ 600 milhões para R$ 600 milhões a R$ 660 milhões.