A União Europeia prepara o 16º pacote de sanções contra a Rússia, que deve ser anunciado em fevereiro de 2025, no terceiro aniversário da invasão da Ucrânia. Diferentemente dos pacotes anteriores, este pode trazer novidades significativas, especialmente no setor de energia e no combate à evasão das medidas já impostas.
Foco em energia e evasão
De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pelo jornal Valor, o novo pacote deve incluir restrições à importação de gás natural liquefeito (GNL) russo, que ainda não foi totalmente banido pela UE. Além disso, há discussões sobre como endurecer as regras para empresas que ajudam a Rússia a contornar sanções, como as que operam em países terceiros.
O pacote anterior, o 15º, foi aprovado em dezembro de 2024 e já incluiu medidas contra a chamada “frota fantasma” de petroleiros que transportam petróleo russo acima do teto de preço. No entanto, a implementação tem sido desigual, e muitos navios continuam operando sem inspeção adequada.
Impacto limitado sem apoio dos EUA
Especialistas apontam que o efeito das novas sanções pode ser limitado, especialmente se os Estados Unidos não adotarem medidas semelhantes. Com a volta de Donald Trump à presidência, há incerteza sobre a continuidade da política de sanções coordenadas entre EUA e Europa.
“A eficácia das sanções depende muito da cooperação transatlântica. Se os EUA afrouxarem, a Rússia encontrará brechas”, afirma Maria Snegovaya, pesquisadora do Centro de Análise de Políticas Europeias (CEPA), em entrevista ao Valor.
Setor energético é o mais afetado
O setor de energia é o principal alvo, pois é a maior fonte de receita do Kremlin. Embora a UE tenha reduzido drasticamente a dependência do gás russo, ainda importa cerca de 5% do seu consumo total, principalmente por meio de gasodutos que passam pela Turquia. O GNL, por sua vez, representa cerca de 13% das importações europeias, e a Rússia é o segundo maior fornecedor, atrás dos EUA.
Proibições totais podem levar a um aumento de preços no curto prazo, mas a UE já diversificou suas fontes, com contratos de longo prazo com Catar e outros países.
Combate à evasão
Outra novidade é a criação de um mecanismo para rastrear a reexportação de produtos de dupla utilização, como chips e componentes eletrônicos, que chegam à Rússia via países como Cazaquistão e Armênia. A UE deve exigir que empresas europeias incluam cláusulas contratuais proibindo a reexportação para a Rússia, sob pena de multas.
“É uma mudança de abordagem: em vez de apenas listar itens proibidos, vamos responsabilizar as empresas por suas cadeias de suprimentos”, explica um diplomata europeu, sob condição de anonimato.
Reação russa
O governo russo já sinalizou que responderá com contramedidas, como a nacionalização de ativos de empresas estrangeiras que deixarem o país. Até agora, mais de 1.000 empresas ocidentais saíram da Rússia, mas algumas ainda operam em setores considerados essenciais, como farmacêutico e alimentício.
Analistas preveem que a economia russa deve crescer apenas 0,5% em 2025, após um crescimento de 3,6% em 2024, impulsionado por gastos militares. As sanções, combinadas com a queda nos preços do petróleo, devem pressionar o orçamento, mas o país ainda tem reservas significativas.



