A população de rua na Inglaterra atingiu um recorde histórico, ultrapassando a marca de 400 mil pessoas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Habitação britânico. O número representa um aumento de 20% em relação ao ano anterior, o maior crescimento anual já registrado.
Crise habitacional agrava situação
O aumento expressivo é atribuído a uma combinação de fatores, incluindo a crise habitacional, o aumento do custo de vida e cortes em programas de assistência social. Especialistas alertam que a situação deve piorar nos próximos meses, com a chegada do inverno.
Segundo o relatório, cerca de 60% dos sem-teto estão em situação de rua pela primeira vez, o que indica que o problema não se restringe a grupos tradicionalmente vulneráveis, mas afeta também famílias e trabalhadores com renda baixa.
Perfil da população de rua
O estudo revela que a maioria dos sem-teto é composta por homens (70%), mas o número de mulheres e jovens tem crescido de forma acelerada. Pessoas de origem negra e de minorias étnicas estão desproporcionalmente representadas, correspondendo a 30% do total, embora representem apenas 14% da população inglesa.
"Estamos diante de uma crise humanitária que exige ação imediata do governo", afirmou Sarah Johnson, diretora da ONG Shelter, que atua no apoio a pessoas em situação de rua. "As políticas atuais são insuficientes para reverter a tendência."
Impactos na saúde e na economia
A situação também gera impactos significativos na saúde pública, com aumento de doenças relacionadas ao frio e à falta de higiene, além de sobrecarregar os serviços de emergência. Estima-se que o custo para o sistema de saúde com o atendimento a essa população seja de cerca de 2 bilhões de libras por ano.
No campo econômico, a produtividade é afetada, e a desigualdade social se aprofunda. Especialistas defendem a construção de moradias acessíveis e a ampliação de programas de reinserção social como medidas essenciais para enfrentar o problema.
Reações e medidas do governo
O governo britânico anunciou um pacote de medidas, incluindo a liberação de 500 milhões de libras para a construção de novas moradias e a criação de um programa de apoio psicológico para os sem-teto. No entanto, críticos argumentam que os recursos são insuficientes diante da magnitude do desafio.
"É preciso um plano abrangente que ataque as causas estruturais, como a especulação imobiliária e a precarização do trabalho", disse o sociólogo Mark Thompson, da Universidade de Londres. "Enquanto isso não acontecer, os números continuarão a subir."
Comparação com outros países
A situação na Inglaterra é mais grave do que em outros países europeus, como Alemanha e França, onde a população de rua tem se mantido estável ou crescido em ritmo menor. A falta de políticas públicas eficazes e a alta dos aluguéis são apontadas como os principais diferenciais.
Organizações internacionais, como a ONU, já manifestaram preocupação com o cenário e recomendam que o Reino Unido adote medidas mais ousadas, incluindo a regulamentação do mercado de aluguéis e o fortalecimento da rede de proteção social.
Perspectivas futuras
Com a chegada do inverno e o agravamento da crise econômica, a tendência é que o número de pessoas dormindo nas ruas aumente ainda mais. Especialistas projetam que, se nenhuma ação efetiva for tomada, o total pode chegar a 500 mil até o final do próximo ano.
A sociedade civil tem se mobilizado, com a criação de campanhas de arrecadação e a atuação de voluntários, mas a solução definitiva depende de uma mudança estrutural. "Precisamos de vontade política e investimento contínuo", concluiu Sarah Johnson.



