Os preços do petróleo registraram forte queda nesta terça-feira (4), revertendo a trajetória de alta observada mais cedo, após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, indicar que um acordo para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz pode ser fechado já nos próximos dias. O Brent, referência internacional, recuava 3%, cotado a US$ 81,24 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía quase 4%, para US$ 77,22 por barril.
Declarações de Bessent impulsionam expectativa de alívio
Em entrevista à CNBC, Bessent afirmou que há possibilidade de um acordo “entre hoje e amanhã” (terça e quarta-feira) com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. O secretário disse estar vendo “vários navios” deixando a região, apesar das restrições, e expressou confiança de que os preços de energia se estabilizem em breve.
“Poderemos ver uma forte onda de compras em resposta ao ‘alívio’, à medida que esses preços caírem e Ormuz reabrir”, acrescentou Bessent, sinalizando que o mercado pode reagir positivamente a uma eventual normalização do fluxo na região.
Impacto nos preços e expectativas do mercado
A possibilidade de reabertura do estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, gerou um movimento de vendas nos mercados futuros, com investidores apostando em uma oferta mais ampla e preços mais baixos no curto prazo. Ambos os contratos chegaram a operar em alta no início do dia, mas a mudança de tom veio após as declarações do secretário do Tesouro.
Analistas apontam que um acordo entre os EUA e o Irã pode reduzir as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que vinham pressionando os preços da commodity nas últimas semanas. A reabertura de Ormuz, que foi parcialmente fechado devido a restrições impostas por Teerã, é vista como um fator-chave para a estabilização do mercado energético global.
Contexto econômico e política monetária
Bessent também comentou sobre a economia americana, afirmando que, apesar dos choques recentes, o núcleo da inflação tem se mantido relativamente controlado. Ele disse estar certo de que o Federal Reserve (Fed) irá equilibrar os objetivos de crescimento e de inflação, mesmo com a volatilidade nos preços de energia.
“Acho que estamos vendo uma ‘desintoxicação’ no Fed. Acho que todas as reuniões deveriam ser abertas e que os participantes do mercado deveriam fazer seus próprios julgamentos”, declarou, sugerindo uma postura mais transparente da autoridade monetária.
Perspectivas para o mercado de energia
Se o acordo for confirmado, o mercado de petróleo pode experimentar uma queda adicional nos preços, aliviando pressões inflacionárias em diversas economias. No entanto, especialistas alertam que ainda há incertezas, e qualquer atraso nas negociações pode reverter o movimento de baixa.
Com a notícia, investidores acompanham de perto os desdobramentos diplomáticos entre Washington e Teerã, enquanto avaliam o impacto sobre a oferta global de energia. A reabertura de Ormuz é considerada essencial para a normalização dos fluxos de exportação do Golfo Pérsico, que incluem grandes produtores como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos.
As informações são do Estadão Conteúdo.



