Deterioração patrimonial do setor público brasileiro atinge R$ 10,1 trilhões
Patrimônio público negativo chega a R$ 10,1 trilhões

O patrimônio líquido negativo do setor público brasileiro alcançou R$ 10,1 trilhões, revelando um quadro de deterioração fiscal que contrasta com as manchetes centradas em inflação, juros e dólar. Segundo dados do Banco Central, o superávit primário de 1,28% do PIB em dezembro de 2022 transformou-se em déficit de 1,19% em junho de 2026. No mesmo período, a conta de juros saltou de 5,96% para 8,80% do PIB, elevando o déficit nominal de 4,68% para 9,99% do PIB. Esses números indicam que o governo deixou de gerar poupança e ampliou sua dependência do endividamento.

Balanço Geral da União revela rombo crescente

O Balanço Geral da União mostra que o patrimônio líquido negativo passou de R$ 2,5 trilhões em 2018 para R$ 5,3 trilhões em 2022, e chegou a R$ 6,8 trilhões em 2025. Considerando União, Estados e municípios, o déficit patrimonial totalizou R$ 10,1 trilhões. Especialistas esclarecem que patrimônio líquido negativo não significa falência de um país, pois um Estado soberano tributa, emite títulos e administra sua dívida. No entanto, indica que os passivos superam os ativos, e essa distância continua aumentando.

Círculo vicioso: déficit, dívida e juros

Mais grave que o tamanho do rombo é sua dinâmica. Déficits elevam a dívida; a dívida aumenta os juros; juros maiores ampliam o déficit. Esse círculo vicioso reduz investimentos, limita políticas públicas e estreita o futuro. Nenhuma empresa sobreviveria ignorando seu balanço patrimonial, nenhum banco concederia crédito sem examiná-lo, e nenhuma família administraria seu patrimônio dessa forma. Apenas o Estado parece autorizado a fingir que esse retrato não existe.

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Impacto silencioso na capacidade de investir

A deterioração patrimonial não provoca alarde nem ocupa manchetes, mas corrói em silêncio a capacidade do País de investir, enfrentar crises e crescer de forma sustentável. Responsabilidade fiscal não é um slogan nem uma meta circunstancial. É o compromisso de entregar às próximas gerações um Estado mais sólido do que aquele recebido. Os números mostram exatamente o contrário, e persistir em ignorá-los talvez seja o maior ato de irresponsabilidade fiscal do nosso tempo.

Oswaldo Colombo Filho, autor do artigo, destaca que a saúde financeira do Estado é medida pelo patrimônio líquido, indicador frequentemente ignorado no debate econômico. Ele ressalta que o governo deixou de gerar poupança e passou a ampliar sua dependência do endividamento, com consequências diretas para investimentos e políticas públicas.

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