O mercado ilegal no Brasil gerou uma perda de R$ 473 bilhões para a economia em 2025, segundo estudo divulgado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). O valor representa cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e reflete o impacto de setores como cigarros, combustíveis, bebidas, medicamentos e produtos eletrônicos.
Cenário preocupante para a indústria legal
De acordo com o levantamento, os setores mais afetados são o de cigarros, com perdas de R$ 120 bilhões, seguido por combustíveis (R$ 90 bilhões), bebidas (R$ 70 bilhões) e medicamentos (R$ 50 bilhões). A ABCF alerta que a prática ilegal não apenas reduz a arrecadação de impostos, mas também prejudica a competitividade das empresas que atuam dentro da lei.
“O contrabando e a falsificação têm um efeito devastador sobre a economia formal, gerando desemprego e reduzindo investimentos em inovação”, afirmou o presidente da ABCF, João Carlos de Oliveira, em coletiva de imprensa realizada em São Paulo. Ele destacou que a situação é agravada pela falta de fiscalização eficiente nas fronteiras e pela burocracia que encarece os produtos legais.
Impacto na arrecadação e na sociedade
O estudo aponta que a sonegação fiscal decorrente do mercado ilegal chega a R$ 180 bilhões, comprometendo a capacidade do governo de financiar serviços públicos essenciais, como saúde e educação. Além disso, a venda de produtos falsificados, especialmente medicamentos e alimentos, coloca em risco a saúde da população.
O pesquisador responsável pelo estudo, economista Ricardo Almeida, explicou que a informalidade também afeta o mercado de trabalho. “Estima-se que 2 milhões de empregos formais deixem de ser gerados por ano devido à concorrência desleal”, disse. Ele acrescentou que os estados com maior incidência de contrabando são os que fazem fronteira com países vizinhos, como Paraná, Mato Grosso do Sul e Amazonas.
Medidas para combater o problema
Entre as recomendações do estudo estão o aumento da cooperação internacional para reprimir o contrabando, a modernização dos sistemas de rastreamento de produtos e a redução da carga tributária sobre itens legalizados. A ABCF também defende penas mais severas para os envolvidos em crimes de falsificação.
O governo federal, por meio do Ministério da Justiça, informou que está elaborando um plano de ação integrado com as polícias estaduais e a Receita Federal para intensificar a fiscalização. No entanto, especialistas alertam que a eficácia dependerá de investimentos em tecnologia e inteligência.
O levantamento completo está disponível no site da ABCF e será apresentado ao Congresso Nacional para subsidiar debates sobre reformas tributárias e políticas de segurança pública.



