Lula e Putin conversam sobre reforçar relação bilateral
Lula e Putin conversam sobre relação bilateral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na manhã desta quarta-feira (5), em um diálogo que durou cerca de uma hora. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa teve como foco o reforço da relação bilateral entre os dois países, com ênfase em comércio, energia e agricultura. Lula também reafirmou o compromisso do Brasil com a busca por uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia, posição que já havia sido manifestada em ocasiões anteriores.

Contexto da conversa

A ligação ocorre em um momento de tensão internacional, com a guerra na Ucrânia completando mais de um ano. O Brasil tem mantido uma posição de neutralidade, criticando a invasão russa, mas também evitando sanções econômicas contra Moscou. Lula já havia se encontrado com Putin em fevereiro, em visita a Moscou, quando defendeu a criação de um grupo de países mediadores para o conflito.

Na conversa desta quarta, Lula teria reforçado a importância do diálogo e da negociação como caminhos para a paz. Segundo fontes do governo brasileiro, o presidente também manifestou interesse em ampliar as trocas comerciais com a Rússia, especialmente na área de fertilizantes, dos quais o Brasil é grande importador.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Comércio e cooperação

O agronegócio brasileiro é um dos setores que mais dependem de insumos russos, como potássio. Em 2022, o Brasil importou cerca de US$ 5 bilhões em fertilizantes da Rússia, representando aproximadamente 25% do total importado. A garantia de fornecimento é vista como estratégica para a segurança alimentar do país. Além disso, a área de energia, com possível cooperação em petróleo e gás, também esteve na pauta.

O governo brasileiro busca diversificar parcerias e reduzir a dependência de outros mercados, como a China. A Rússia, por sua vez, vê no Brasil um parceiro importante na América Latina, tanto politicamente quanto economicamente. A conversa também teria abordado a cooperação em ciência e tecnologia, incluindo o programa espacial brasileiro, que utiliza foguetes russos para lançamentos de satélites.

Reações e desdobramentos

A conversa foi bem recebida por setores do agronegócio, que veem com bons olhos a aproximação entre os dois países. No entanto, diplomatas ocidentais observam com cautela, temendo que a postura brasileira possa ser interpretada como um apoio implícito à Rússia. O Itamaraty, em nota, afirmou que a conversa foi "construtiva" e que os dois presidentes concordaram em manter contato regular.

Especialistas em relações internacionais apontam que a posição brasileira pode ser uma oportunidade para o país se tornar um mediador no conflito, mas alertam para os riscos de isolamento. A conversa também ocorre em um momento em que o governo Lula busca ampliar sua influência global, com a presidência do G20 em 2024 e a realização da COP30 em Belém, em 2025.

O Palácio do Planalto não divulgou detalhes sobre possíveis acordos assinados, mas afirmou que as equipes técnicas devem se reunir em breve para avançar nas discussões. A expectativa é que novos encontros bilaterais ocorram nos próximos meses, inclusive durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar