O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou o visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida, confirmada por fontes oficiais nesta quarta-feira (5), representa um novo capítulo de tensão nas relações bilaterais entre os dois países.
Contexto da revogação
Segundo informações divulgadas pelo Itamaraty, a decisão foi comunicada à diplomata brasileira na terça-feira (4), sem apresentação de justificativa formal. A revogação ocorre em um momento de desgaste na relação entre os governos, marcada por divergências em temas como comércio, meio ambiente e política externa.
Maria Luiza Ribeiro Viotti, que assumiu o posto em Washington em 2023, é uma das diplomatas mais experientes do Brasil, com passagens por missões na ONU e na Alemanha. Sua permanência nos EUA agora depende de um novo visto, que pode ser solicitado, mas sem garantia de aprovação.
Impacto nas relações bilaterais
Especialistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que a medida é um sinal claro de insatisfação do governo Trump com o posicionamento do Brasil em fóruns internacionais. Nos últimos meses, o governo brasileiro criticou a política tarifária americana e defendeu a reforma de instituições globais, posições que contrariam interesses dos EUA.
“A revogação do visto de uma embaixadora é um ato incomum e grave no direito diplomático. Isso pode ser interpretado como uma forma de pressão política, mas também prejudica a comunicação entre os dois países”, afirma o cientista político Carlos Melo, professor do Insper.
Reações oficiais
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota oficial repudiando a decisão e afirmando que tomará as medidas cabíveis. “O Brasil lamenta a decisão unilateral do governo americano e reserva-se o direito de responder de forma recíproca, caso necessário”, diz trecho do comunicado.
Até o momento, a embaixada dos EUA em Brasília não se pronunciou oficialmente. O Departamento de Estado americano, em resposta a perguntas da imprensa, limitou-se a dizer que “não comenta casos individuais de vistos”.
Histórico de tensões
Esta não é a primeira vez que o governo Trump adota medidas hostis contra diplomatas brasileiros. Em 2019, o então presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, enfrentou críticas quando o governo americano impôs restrições a vistos de brasileiros por questões de segurança.
No entanto, a revogação do visto de uma embaixadora é considerada uma ação de maior gravidade, pois afeta diretamente a representação diplomática. A medida ocorre em meio a negociações comerciais sensíveis, como a revisão do acordo de cotas de aço e alumínio, que afetam a indústria brasileira.
Próximos passos
Diplomatas brasileiros acreditam que a situação pode ser contornada por meio de conversas diretas entre os chanceleres dos dois países, mas não descartam uma resposta mais dura por parte do Brasil. O governo brasileiro estuda medidas recíprocas, como a revogação de vistos de diplomatas americanos em Brasília.
Enquanto isso, a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti permanece em Washington, mas sem status diplomático, o que limita sua atuação. Ela deve retornar ao Brasil nos próximos dias para consultas, segundo fontes do Itamaraty.
A situação coloca em xeque a estabilidade da relação entre Brasil e EUA, que historicamente é marcada por altos e baixos, mas sempre com canais de diálogo abertos. A expectativa é que o caso seja resolvido nos bastidores, mas sem garantias de desfecho rápido.



