O iene japonês atingiu nesta quarta-feira (22) seu menor nível em quase 40 anos, cotado a 160 ienes por dólar, pressionado pelo aumento da aversão ao risco global em meio à escalada da tensão no Oriente Médio. A moeda japonesa acumula desvalorização de mais de 12% no ano, segundo dados do Banco do Japão.
Contexto do movimento cambial
A queda do iene reflete a busca por segurança dos investidores, que se afastam de ativos de risco e migram para o dólar americano. O conflito entre Israel e Hamas, que completou três meses, elevou a incerteza geopolítica, impactando moedas de países importadores de energia, como o Japão.
O ministro das Finanças do Japão, Shunichi Suzuki, afirmou em entrevista coletiva que o governo está monitorando de perto os movimentos cambiais e não descarta intervenção no mercado. “Estamos observando com grande preocupação a volatilidade excessiva e tomaremos as medidas apropriadas”, declarou.
Impactos na economia japonesa
A desvalorização do iene beneficia exportadores japoneses, como montadoras e fabricantes de eletrônicos, mas eleva o custo das importações de energia e alimentos, aumentando a inflação no país. O Japão importa cerca de 90% de sua energia, e o petróleo, cotado em dólar, fica mais caro com a moeda fraca.
O Banco do Japão manteve a taxa de juros em -0,1% na reunião de junho, contrastando com o aperto monetário do Federal Reserve, que elevou os juros para 5,5%. Esse diferencial de juros pressiona o iene para baixo.
Reação dos mercados
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em alta de 0,8%, impulsionado pelos ganhos das exportadoras. Já o rendimento dos títulos de 10 anos do governo japonês subiu para 1,2%, maior nível desde 2013, refletindo expectativas de que o BOJ possa ajustar sua política monetária.
Analistas do mercado cambial apontam que o nível de 160 ienes por dólar é um ponto crítico, e uma possível intervenção coordenada com outros bancos centrais não está descartada. “O governo japonês tem histórico de intervir quando a volatilidade é extrema”, disse Masato Kanda, ex-vice-ministro das Finanças para Assuntos Internacionais.



