A Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta uma mudança significativa em sua composição financeira. Com os Estados Unidos inadimplentes há anos, a China está prestes a se tornar o maior contribuinte da entidade, o que pode alterar o equilíbrio de poder dentro da organização. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico, em análise do colunista Assis Moreira.
Inadimplência americana
Os Estados Unidos devem à OMC cerca de US$ 25 milhões anuais, acumulando um déficit que já ultrapassa US$ 100 milhões. A falta de pagamento ocorre desde o governo Trump, que questionava a eficácia da organização e ameaçava reduzir contribuições. A gestão Biden não reverteu essa posição, mantendo o país como o maior devedor.
Ascensão chinesa
Enquanto isso, a China tem aumentado sua participação financeira na OMC. Em 2025, as contribuições chinesas devem ultrapassar as americanas, tornando Pequim o maior financiador da entidade. Especialistas apontam que isso dará à China maior influência nas negociações comerciais globais, especialmente em temas como subsídios agrícolas e propriedade intelectual.
Segundo a análise, a mudança reflete o crescimento econômico chinês e sua estratégia de ocupar espaços deixados pelos EUA em organismos multilaterais. A OMC, que já enfrenta desafios com a paralisia de seu órgão de apelação, vê agora sua estrutura de poder se deslocar.
Impactos na governança global
A situação levanta questões sobre o futuro da governança do comércio mundial. Com a China como principal contribuinte, países ocidentais temem que as regras da OMC possam ser moldadas para favorecer o modelo de economia estatal chinesa. Por outro lado, defensores do multilateralismo veem a mudança como um alerta para que os EUA retomem seu papel de liderança.
"Os EUA estão perdendo influência na OMC por não pagarem suas contribuições. A China está aproveitando essa lacuna para se posicionar como defensora do comércio multilateral", afirmou o colunista Assis Moreira.
Próximos passos
A OMC realiza sua conferência ministerial em 2024, onde o orçamento e as contribuições serão discutidos. Sem o pagamento americano, a organização pode ter que cortar gastos ou buscar novas fontes de receita. A expectativa é que a China use seu novo status para pressionar por reformas que beneficiem seus interesses, enquanto os EUA tentam reverter a situação com promessas de pagamento futuro.



