EUA matam militar e atacam Irã; conflito se aproxima de guerra total
EUA matam militar e atacam Irã; conflito se aproxima de guerra

Os Estados Unidos anunciaram a morte de mais um militar ao lançarem novos ataques aéreos contra o Irã neste domingo, 19, em resposta à morte de soldados americanos, e o Irã disparou mísseis em direção à Jordânia que ameaçaram alastrar o conflito para o vizinho Israel. Passo a passo, EUA e Irã voltaram a se aproximar de uma guerra total, com o esfacelamento do acordo provisório do mês passado, que deveria encerrar definitivamente os combates, e a quase paralisação do tráfego de navios no Estreito de Ormuz.

Militar morto em operação de detonação de drone iraniano

Os dois lados têm atacado infraestrutura civil da qual dependem milhões de pessoas. As Forças Armadas americanas disseram que o militar morreu no Iraque, no sábado, durante a “detonação controlada” de um drone iraniano abatido. Mais cedo, os militares haviam informado que seus ataques miraram a Guarda Revolucionária, força paramilitar iraniana, em retaliação à morte de soldados na Jordânia na sexta-feira, 17. Um militar estava desaparecido após aquele ataque, e o novo comunicado das Forças Armadas afirma que “restos mortais não identificados” foram encontrados no domingo e estão sendo examinados. O presidente Donald Trump definiu as mortes na Jordânia como “algo muito triste”, mas disse que o sacrifício deles foi “a serviço do nosso país”. Desde o início da guerra, 17 militares americanos foram mortos.

Ataques a infraestrutura civil e resposta iraniana

A retomada das trocas de ataques, agora em sua segunda semana, incluiu alvos americanos como pontes, usinas de dessalinização de água e instalações elétricas no Irã. Teerã tem atingido países aliados dos EUA por todo o Oriente Médio. Kuwait, Jordânia e Bahrein ativaram novamente suas defesas antiaéreas contra drones e mísseis iranianos. Israel alertou que mísseis lançados em direção à vizinha Jordânia poderiam fazer o fogo transbordar para o território israelense pela primeira vez em semanas.

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Instalação nuclear iraniana atacada

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA disse ter atingido “instalações militares iranianas de vigilância costeira e defesa antiaérea, capacidades marítimas e depósitos de mísseis e drones”. Afirmou que o ataque foi planejado para degradar a capacidade do Irã de controlar o estreito e “punir rapidamente as forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica”, uma base de poder na teocracia iraniana que controla seu arsenal de mísseis balísticos. Imagens divulgadas pelos militares americanos aparentemente mostram ataques executados por caças e por mísseis de cruzeiro Tomahawk lançados do mar. Um dos alvos parecia estar em um vale de uma região montanhosa. A Guarda costuma manter bases de mísseis e outros equipamentos militares encravados em cadeias de montanhas.

A agência de energia atômica do Irã disse que ataques americanos miraram o canteiro de obras de uma usina nuclear planejada no sudoeste do país, informou a TV estatal. Imagens de satélite da Planet Labs PBC do local da usina nuclear de Darkhovin mostravam terraplenagem, mas pouca construção, até 9 de julho. O Irã não havia anunciado anteriormente que o local fora atacado. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que a instalação, em “estágios muito iniciais de construção”, não continha material nuclear na última visita do órgão de fiscalização da ONU.

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Jordânia e países do Golfo sob fogo

As Forças Armadas da Jordânia disseram ter abatido vários mísseis iranianos. O país abriga grandes bases americanas e depende de sistemas de defesa antiaérea dos EUA. Os mísseis não causaram vítimas nem danos, segundo os militares jordanianos. A Jordânia depois convocou o encarregado de negócios do Irã para protestar, informou a TV estatal. As Forças Armadas de Israel disseram que mísseis iranianos lançados em direção a Aqaba, cidade portuária jordaniana logo do outro lado da fronteira, poderiam transbordar, alertando os israelenses para esperar as primeiras sirenes antiaéreas em semanas. Em Eilat, cidade israelense vizinha a Aqaba, autoridades de segurança citadas pela administração local afirmaram que dois interceptadores foram lançados de seus arredores para evitar a queda de destroços. Nos combates mais recentes, o Irã concentrou os ataques em países árabes aliados dos EUA, e não em Israel, que iniciou a guerra ao lado dos americanos em 28 de fevereiro.

“Estamos preparados para retomar imediatamente o combate”, disse o chefe do Estado-Maior israelense, tenente-general Eyal Zamir.

O Kuwait disse que uma de suas usinas de energia e dessalinização de água foi atacada pela segunda vez em dois dias, provocando incêndios. Seu Ministério de Eletricidade, Água e Energia Renovável afirmou que a rede elétrica permanece estável. No Kuwait, cerca de 90% da água potável vem da dessalinização. O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, bloco de seis nações, Jasem Mohamed al-Budaiwi, acusou o Irã de crimes de guerra pelos ataques a infraestrutura e instalações civis. O direito internacional humanitário, em geral, protege infraestruturas civis como pontes e usinas de energia contra ataques, mas esses locais podem perder a proteção se forem usados para fins militares. Nesses casos, os ataques devem ser proporcionais e minimizar os danos a civis.

Estreito de Ormuz como peça-chave

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou atacar usinas de energia e pontes do Irã para tentar obrigar Teerã a afrouxar o controle sobre o Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto do suprimento global de petróleo antes da guerra. Os ataques recentes sugerem que as Forças Armadas americanas estão executando esse plano. Na última semana, os EUA reimpuseram um bloqueio naval aos portos iranianos para interromper os embarques de petróleo bruto. No sábado, os militares disseram ter redirecionado seis navios e inutilizado um desde então.

Uma organização marítima supervisionada pela Marinha americana disse neste domingo que a ameaça aos navegantes é severa após os ataques iranianos anteriores, “com ação hostil deliberada considerada altamente provável”. Segundo a entidade, o tráfego permanecia baixo, com oito travessias no sábado e três na sexta-feira. A média diária antes da guerra era de quase 140.

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, em comunicado no sábado, alertou para “lições inesquecíveis” caso os EUA continuem atacando a República Islâmica. Um negociador iraniano disse que Teerã estava suspendendo seus compromissos com o acordo provisório e acusou os EUA de violá-lo. Já se passou mais da metade dos 60 dias que o acordo estabeleceu para negociar o fim permanente da guerra e outras questões, incluindo o programa nuclear iraniano.

As autoridades iranianas disseram neste domingo que ao menos 50 pessoas morreram e 517 ficaram feridas nos ataques americanos mais recentes. O Irã não forneceu informações gerais sobre suas perdas de material bélico. Longe da região, os efeitos da guerra sobre os preços de combustíveis e outros produtos têm atingido duramente algumas das áreas mais vulneráveis do mundo.