O mercado 'underground' de peptídeos, apelidado de 'Velho Oeste', já movimentou US$ 32 milhões em pagamentos com criptomoedas, segundo investigação recente. Esses produtos são comercializados ilegalmente com a promessa de ajudar a ganhar massa muscular, acelerar a recuperação física, melhorar o sono, aguçar o foco ou retardar os efeitos do envelhecimento.
Funcionamento do mercado paralelo
Os peptídeos são moléculas formadas por aminoácidos, utilizadas em tratamentos médicos legítimos, mas também vendidos sem regulação como suplementos ou drogas de desempenho. No mercado clandestino, são anunciados em fóruns online e redes sociais, com pagamentos em bitcoin e outras criptomoedas para evitar rastreamento.
De acordo com a análise de transações na blockchain, os US$ 32 milhões correspondem a milhares de pagamentos feitos entre 2020 e 2023. A maioria das compras é de pequeno valor, mas o volume total indica uma demanda crescente.
Riscos à saúde e alertas
Especialistas alertam que esses peptídeos não passam por controle de qualidade ou aprovação de agências reguladoras, como a Anvisa ou FDA. 'Os consumidores estão colocando em risco sua saúde ao usar substâncias de origem desconhecida, sem dosagem padronizada', afirmou o farmacologista Dr. Carlos Mendes, da Universidade de São Paulo.
Os efeitos colaterais podem incluir reações alérgicas, desequilíbrios hormonais e danos a órgãos. A venda ilegal também alimenta um mercado sem garantias de pureza ou eficácia.
Resposta das autoridades
As autoridades de saúde e polícias federais têm intensificado a fiscalização, mas o anonimato das criptomoedas dificulta a identificação dos vendedores. A operação 'Peptídeo Fantasma' já apreendeu mais de 10 mil frascos do produto em 2024, mas o mercado continua ativo.
A investigação aponta que os principais compradores são jovens frequentadores de academias e atletas amadores em busca de vantagens competitivas. O valor total movimentado pode ser ainda maior, pois a análise considera apenas transações públicas na blockchain.



