Lula rebaixa relação diplomática com Argentina após ataques
Lula rebaixa relação com Argentina após ataques

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu rebaixar o nível da relação diplomática com a Argentina, após uma série de novos ataques do presidente argentino, Javier Milei, direcionados ao Brasil e ao próprio Lula. A medida, anunciada nesta terça-feira, representa um duro golpe nas relações bilaterais e pode ter impactos significativos no comércio e na cooperação entre os dois países.

Decisão do Itamaraty

De acordo com fontes do Palácio do Itamaraty, a decisão de rebaixar o nível da relação diplomática foi tomada após reunião de emergência entre o chanceler Mauro Vieira e o presidente Lula, ainda na noite de segunda-feira. A medida implica a redução do status das embaixadas em ambos os países, que passariam de embaixadas a consulados-gerais, e a convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília.

O rebaixamento também inclui a suspensão de todas as negociações em andamento, incluindo o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que depende de consenso entre os países do bloco. Segundo o Itamaraty, a Argentina será notificada oficialmente da decisão nos próximos dias.

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Histórico de tensões

As relações entre Brasil e Argentina já vinham em um clima de tensão desde a eleição de Milei, em novembro de 2023. O presidente argentino, conhecido por suas declarações polêmicas, já havia chamado Lula de "comunista" e "corrupto" durante a campanha eleitoral, e as críticas se intensificaram nos últimos meses.

Na semana passada, Milei voltou a atacar o Brasil em um discurso em Buenos Aires, chamando o país de "um dos maiores focos de autoritarismo da América Latina" e acusando Lula de "destruir a economia brasileira". As declarações foram consideradas inaceitáveis pelo governo brasileiro, que decidiu responder com a medida de rebaixamento.

Reações e impactos

A decisão do governo brasileiro foi recebida com surpresa e preocupação por parte de diplomatas e analistas. O ex-chanceler Celso Amorim, atual assessor especial da Presidência, afirmou que a medida é "proporcional à gravidade das ofensas" e que o Brasil não pode aceitar ataques à sua soberania.

Por outro lado, especialistas apontam que o rebaixamento pode ter consequências econômicas. A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil na América do Sul, com um intercâmbio comercial de cerca de US$ 28 bilhões em 2025. O setor automotivo, que mantém uma cadeia produtiva integrada entre os dois países, pode ser um dos mais afetados.

Próximos passos

O governo brasileiro informou que a medida é temporária e que as relações poderão ser normalizadas caso o governo argentino mude sua postura. "O Brasil está aberto ao diálogo, mas não aceitará desrespeito", disse uma fonte do Itamaraty.

Enquanto isso, a oposição argentina criticou Milei por colocar em risco as relações com o principal parceiro comercial do país. A decisão do governo Lula também deve repercutir em outros países da região, que acompanham com atenção o desenrolar da crise.

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