A greve dos estudantes de graduação da Universidade Federal do Acre (Ufac), motivada pela crise no transporte coletivo em Rio Branco, foi oficialmente encerrada após 20 dias, nesta terça-feira (4). A decisão foi tomada em assembleia estudantil convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que avaliou os avanços obtidos durante o movimento. Apesar do fim da paralisação, ainda não há data definida para a retomada das aulas, que depende da notificação oficial da coordenação dos cursos pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da Ufac.
Decisão democrática e avaliação coletiva
Em nota oficial, o DCE informou que a decisão foi tomada de forma democrática, após amplo debate e avaliação coletiva dos encaminhamentos conquistados durante o movimento. A categoria estudantil vinha reivindicando melhorias no sistema de transporte público, essencial para o deslocamento dos alunos até a universidade.
A paralisação foi mantida até o último dia 27, sob a justificativa de que o quantitativo de 67 ônibus ainda não havia sido cumprido pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans). A frota atual opera com cerca de 60 veículos, número que representa pouco mais da metade dos 94 ônibus previstos para operar na capital.
Reforço da frota e cenário de crise
Quatro novos ônibus articulados chegaram em Rio Branco no dia 30 de junho para reforçar a frota, mas apenas um deles começou a circular na linha Ufac/Via Avenida Ceará naquela data. Segundo a RBTrans, os veículos pertencem à Ricco Transportes e Turismo Ltda. e não fazem parte dos 50 ônibus apreendidos no fim de junho e posteriormente liberados pela Justiça. Também não integram a frota da nova empresa que deve assumir o serviço.
Apesar do reforço, a quantidade de ônibus em circulação ainda está abaixo do necessário para atender a população. A crise gerou protestos, incluindo uma manifestação em 15 de julho, quando estudantes protestaram pela terceira vez em dois dias. Com cartazes e faixas criticando o sistema de transporte público, os movimentos estudantis cobraram medidas imediatas da Prefeitura de Rio Branco. O ato causou lentidão no trânsito no entorno do Centro da capital.
Protestos e agressões
Um dia antes, em 14 de julho, uma manifestação em frente à Prefeitura de Rio Branco terminou em confusão e agressões entre estudantes e servidores municipais. Em nota, a Prefeitura afirmou que respeita o ato, mas não compactua com invasão de prédio público e agressões. A situação reflete a tensão gerada pela crise do transporte, que afeta diretamente a rotina de milhares de estudantes e trabalhadores da capital acreana.



