O senador Eduardo Girão (Novo) revelou, nesta terça-feira (4), que fez uma ligação telefônica para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) logo após aceitar o convite para ser candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema (Novo). A declaração foi dada durante a convenção do partido em Fortaleza, que também lançou o advogado Pedro Brito como candidato ao governo do Ceará.
Girão elogia coragem de Michelle
Girão destacou a atitude de Michelle ao expor publicamente o acordo entre o PL e Ciro Gomes (PSDB) para formação de chapa no Ceará. “Ela teve a coragem de expor esse acordão indecoroso que aconteceu aqui no estado do Ceará, do PL com as pessoas que estão querendo voltar para o poder, que colocaram o PT no poder”, afirmou o senador. Ele completou: “É água e óleo. A gente vê que não se sustenta. É um erro histórico que aconteceu no PL, e ela teve a coragem de enfrentar”.
Girão contou que Michelle foi uma das primeiras pessoas para quem ligou após aceitar o convite. “Foi a primeira pessoa que eu liguei particularmente, depois da minha família, foi a Michelle. Uma mulher autêntica, de valores, de princípios, que eu admiro demais [...] Da mesma forma que eu fui surpreendido, ela também. Mas a gente conversou, e ela, como uma amiga, uma pessoa que é uma irmã para mim, desejou boa sorte”, comentou.
Reação a Ciro Gomes
Após o anúncio, Ciro Gomes publicou uma mensagem nas redes sociais parabenizando Girão. “Quero cumprimentar o senador Eduardo Girão pelo honroso convite para disputar a vice presidência da república. É muitíssimo raro que cearenses consigam alcançar oportunidades na luta política nacional. Desejo ao Senador Girão muito boa sorte na empreitada”, escreveu Ciro.
Girão agradeceu, mas fez críticas ao ex-ministro. “Ciro Gomes é um dos cearenses mais inteligentes. Ele tem uma eloquência muito grande. Eu discordo da maneira de fazer política dele, isso faz parte, eu agradeço a mensagem”, disse. “Acredito que o Ceará precisa de uma ruptura desse modelo, do coronelismo, da oligarquia, que ele, o irmão [Cid Gomes], pessoas de outras famílias que estão entrando e o PT representam”, reforçou.
Entenda a divergência no PL
Michelle Bolsonaro publicou, em junho, um depoimento nas redes sociais em que afirma ter sido humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. O episódio envolve a articulação do deputado federal André Fernandes (PL) para apoiar Ciro Gomes ao governo do Ceará em 2026 e uma disputa por vaga no Senado.
No comício de 2025, Michelle criticou a aliança: “É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”. Ela afirmou que, após o discurso, Flávio Bolsonaro telefonou e os dois discutiram. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi”, narrou.
Michelle também citou a briga pelo Senado: ela apoiou a pré-candidatura da deputada federal Priscila Costa (PL), mas o PL lançou o deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André. “Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro [...] Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?”, questionou.
Quem são os envolvidos
- André Fernandes: deputado federal e presidente do PL Ceará, articulou a aproximação com o PSDB e defende o pai como candidato ao Senado.
- Ciro Gomes: ex-ministro, pré-candidato do PSDB ao governo do Ceará, com apoio do PL.
- Eduardo Girão: senador, agora vice na chapa de Zema.
- Alcides Fernandes: deputado estadual, pai de André, lançado ao Senado.
- Priscila Costa: vereadora, pré-candidata ao Senado apoiada por Michelle.
Reações e desdobramentos
A fala de Michelle gerou reação imediata dos filhos de Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que ela “atropelou” o ex-presidente; Carlos e Jair Renan endossaram a crítica; Eduardo disse que André foi “injustamente exposto”. No Ceará, lideranças do PL defenderam o apoio a Ciro. Alcides Fernandes afirmou que Ciro era a melhor opção da oposição; a deputada Dra. Silvana classificou a fala de Michelle como um “ataque” a André.
Após a polêmica, o PL suspendeu as conversas com o PSDB em dezembro de 2025, mas em maio de 2026 oficializou o apoio a Ciro. Pesquisa Quaest de abril indicava Ciro com 41%, Elmano com 32% e Girão com 4%. No lançamento, Ciro afirmou que sua chapa teria dois candidatos ao Senado: Capitão Wagner e Alcides Fernandes.



