Inflação deve levar Copom a cortar Selic a 14%; será o último?
Inflação deve levar Copom a cortar Selic a 14%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve cortar a taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano na próxima reunião, impulsionado pela queda da inflação. A pergunta que fica no ar é: será o último corte do ciclo? A resposta depende de uma série de fatores econômicos, incluindo o comportamento dos preços e o cenário fiscal.

Por que o corte é esperado?

A inflação medida pelo IPCA, o índice oficial, tem mostrado desaceleração consistente. Dados recentes apontam para uma variação acumulada em 12 meses abaixo do teto da meta, o que dá margem para o BC afrouxar a política monetária. O mercado já precifica uma alta probabilidade de redução de 0,5 ponto percentual, levando a Selic de 14,5% para 14%.

Além disso, a atividade econômica dá sinais de arrefecimento, o que reforça a necessidade de estimular o crescimento. No entanto, analistas alertam que riscos fiscais e externos podem limitar novos cortes.

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Será o último corte do ano?

Segundo economistas consultados, a decisão de setembro pode ser a última do ano, caso a inflação continue em trajetória de queda, mas sem surpresas negativas. O boletim Focus, que reúne as expectativas do mercado, indica uma Selic terminal em torno de 13,5% para o fim de 2025, mas isso pode mudar conforme os dados.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já sinalizou que as decisões serão tomadas com base nos dados, sem compromisso prévio. "Vamos avaliar cada reunião com base nas informações disponíveis", afirmou em evento recente.

Impactos para investidores

Um corte na Selic tende a beneficiar ativos de renda variável, como ações, e a reduzir a atratividade da renda fixa. No entanto, a incerteza sobre o futuro dos juros pode gerar volatilidade no mercado. Investidores devem ficar atentos às comunicações do Copom e aos próximos indicadores econômicos.

Para quem investe em títulos públicos, como o Tesouro Selic, a queda dos juros significa menor retorno. Já para quem tem papéis prefixados, a valorização pode ser significativa.

Cenário internacional

No exterior, o Federal Reserve (Fed) dos EUA também sinaliza cortes de juros, o que pode influenciar a decisão do Copom. A queda dos juros americanos tende a fortalecer moedas de mercados emergentes, como o real, e a reduzir a pressão inflacionária.

No entanto, tensões geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio, podem elevar os preços do petróleo e impactar a inflação global, o que pode fazer o BC ser mais cauteloso.

O que esperar da reunião

A reunião do Copom está marcada para os dias 16 e 17 de setembro. A expectativa é de que a decisão seja unânime, mas há quem aposte em um corte maior, de 0,75 ponto percentual, caso a inflação surpreenda para baixo.

Independentemente do tamanho do corte, o mercado estará atento ao comunicado e à ata da reunião, que podem dar pistas sobre os próximos passos da política monetária.

Conclusão

O corte da Selic para 14% parece certo, mas o futuro é incerto. A combinação de inflação controlada, atividade econômica fraca e cenário externo favorável pode permitir mais cortes, mas riscos fiscais e externos podem interromper o ciclo. Fique de olho nos próximos dados e nas comunicações do BC.

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