O diretor de desenvolvimento do futebol mundial na Fifa, Arsène Wenger, declarou na terça-feira que a retirada do projeto que abriria a gestão comercial das principais competições da entidade a investidores privados era “absolutamente necessária”. Em comunicado, o ex-técnico do Arsenal também afirmou que não foi consultado sobre a iniciativa, da qual tomou conhecimento pela imprensa.
O plano rejeitado e a reação internacional
O projeto batizado de Fifa Forward Enterprise (FFE) previa a venda de 20% das ações da Copa do Mundo e de outras competições da entidade a investidores privados, por meio de uma nova empresa. O anúncio, feito há uma semana, gerou forte reação negativa de confederações e federações, levando o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a recuar.
Três confederações rejeitaram publicamente o plano, e a Uefa, que reúne as 55 federações europeias, chegou a ameaçar boicotar a Copa do Mundo e outros torneios da Fifa caso a proposta fosse levada adiante. A pressão foi tamanha que Infantino, que almejava a criação da FFE para atrair capital privado, viu-se obrigado a abandonar a ideia.
A posição de Wenger e a defesa da transparência
Wenger, que integra a Fifa desde 2019, juntou-se às críticas ao projeto. Em seu comunicado, ele destacou que sua função na entidade está focada no desenvolvimento do futebol, incluindo a supervisão de análises de dados, o centro de treinamento online, a educação de jovens em 60 academias espalhadas por 60 países e as competições de base.
“Os eventos recentes na Fifa merecem clareza da minha parte”, afirmou. “Não estive envolvido nesse projeto, do qual soube pela imprensa.” O francês também é consultor técnico da IFAB, órgão que define as regras do futebol.
“A decisão de retirar o projeto era absolutamente necessária e fora de toda dúvida, porque acredito firmemente em uma Fifa independente que serve ao nosso jogo com comprometimento, transparência e integridade”, concluiu.
O impacto político na Fifa e as eleições de 2027
A retirada do plano não encerrou a crise de confiança em Infantino. Várias federações europeias retiraram seu apoio ao dirigente, e a Uefa publicou no sábado um comunicado celebrando a desistência, mas ressaltando que “perdeu a confiança” no presidente da Fifa.
Infantino, único candidato até o momento às eleições presidenciais de 2027, precisará do apoio de 106 das 211 federações membros para se reeleger. A oposição europeia, somada à reação negativa ao projeto FFE, pode enfraquecer sua posição nos próximos anos.
Especialistas apontam que o episódio expõe a fragilidade da governança na Fifa e a necessidade de maior diálogo com as confederações antes de decisões estratégicas de grande impacto.



