Vale (VALE3) oscila entre China fraca e oferta de minério
Vale (VALE3) oscila entre China fraca e oferta de minério

As ações da Vale (VALE3) operam com leve alta de 0,30% nesta quarta-feira (15), cotadas a R$ 74,23, enquanto investidores digerem dados econômicos fracos da China e a alta recente do minério de ferro, impulsionada por preocupações com oferta.

Dados da China pressionam, mas minério de ferro sustenta

A economia chinesa cresceu apenas 4,3% no segundo trimestre de 2026, o ritmo mais lento em mais de três anos, abaixo do piso da meta anual de 4,5% a 5,0%. O número desacelerou ante os 5,0% do primeiro trimestre. Segundo o Bradesco BBI, a atividade econômica chinesa enfraqueceu ainda mais no segundo trimestre, com fatores negativos superando os pontos de resiliência. “Embora a produção industrial tenha acelerado e as vendas no varejo tenham voltado a apresentar crescimento modesto em junho, essas melhorias foram insuficientes para compensar a deterioração contínua nos investimentos em ativos fixos, gastos com infraestrutura e no setor imobiliário”, afirmam analistas do banco.

Por outro lado, os preços do minério de ferro têm sido um suporte recente para as ações. O contrato mais negociado para setembro na Dalian Commodity Exchange (DCE) fechou em alta de 1,13%, a 762 iuanes (US$ 112,59) por tonelada, atingindo o maior nível desde 17 de junho. Em Cingapura, a referência para agosto subiu 0,59%, para US$ 100,7 por tonelada, máxima desde 2 de julho. A alta é atribuída à ameaça de greve dos trabalhadores da BHP em um importante porto australiano.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Oferta abundante da Rio Tinto limita ganhos

No entanto, o aumento nos embarques trimestrais de minério de ferro da Rio Tinto indicou oferta abundante, contendo os avanços dos preços. Analistas da corretora chinesa Business Community, no WeChat, afirmaram que o aumento inesperado na oferta do maior produtor global pode pesar sobre os preços daqui para frente.

O Bradesco BBI espera uma recuperação nos preços do aço no final de agosto com o início de um período sazonal mais favorável, o que deve aliviar as margens das siderúrgicas e sustentar a viabilidade econômica do minério de ferro. O banco mantém recomendação outperform (equivalente a compra) para a Vale, preferência entre as empresas brasileiras de mineração e siderurgia. Já a XP tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 85.

Mudanças no Conselho e resultados do 2T26 no radar

Eventos específicos da Vale também movimentam as ações. O BTG Pactual comentou o pedido formal da Previ, em 11 de junho, para a saída do então presidente do Conselho, Dan Stieler. Após recusa inicial e votação contrária do Conselho em 22 de junho, Stieler deixou o cargo em 6 de julho, e sua destituição não será votada na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 22 de julho. “O episódio é mais provavelmente um reflexo de dinâmicas internas da Previ do que de qualquer questão específica da Vale”, ressaltou o banco.

Na terça-feira (14), a Vale informou que o Conselho elegeu Wilfred Theodoor Bruijn como presidente interino até a eleição de um novo presidente na AGE de 22 de julho. O BTG avalia que, embora preferisse uma transição mais tranquila, não vê danos aos fundamentos da companhia. “Sob a atual equipe de gestão, esperamos um processo decisório consistente com o dos últimos trimestres, visto como positivo pelo mercado”, afirma. O banco reitera recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 90, destacando um yield de fluxo de caixa ao acionista de 9% neste ano.

A Vale divulga seus resultados do segundo trimestre em 30 de julho. Segundo o Safra, o Ebitda ajustado deve ser de aproximadamente US$ 3,8 bilhões, queda de 2% ante o primeiro trimestre e abaixo do consenso. A pressão viria da divisão de Soluções de Minério de Ferro, com preços realizados menores e custos C1 mais altos. O banco estima preço realizado de US$ 95 por tonelada. Já a divisão de metais básicos deve apresentar melhora, com Ebitda avançando 17% apoiado por preços mais altos de cobre e níquel.

Para o Itaú BBA, o Ebitda proforma deve cair 7% no trimestre, para US$ 3,63 bilhões. No segmento de ferrosos, o aumento de 16% nos embarques (79,5 milhões de toneladas) seria mais que compensado pela alta de US$ 2/t no custo C1, para US$ 30,1/t, pressionado pelo real mais forte. Em metais básicos, o Ebitda deve recuar 11%, para US$ 1,06 bilhão.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Em meio a esse cenário, as casas de análise seguem divididas. Segundo compilação LSEG, entre as que cobrem VALE3, 8 têm recomendação de compra e 7, neutra. Para os ADRs negociados em Nova York, 13 recomendam compra e 12, manutenção.